Todos os médicos dos setores de traumatologia, cirurgia vascular e cirurgia geral - num total de 154 - já deixaram seus cargos nas emergências dos hospitais públicos do Recife. De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Silvio Rodrigues, todos eles cumpriram o prazo de 30 dias de trabalho depois da entrega da exoneração.

Até o final de setembro, deve chegar a cerca de 400 o número de profissionais a deixarem seus postos, assim que completarem o prazo de 30 dias. "É um caminho sem volta, não há condição de salário nem de trabalho", afirmou Rodrigues.

As emergências estão recebendo unicamente os casos de extrema gravidade: tiros, facadas, acidentes de trânsito graves. De acordo com balanço da Secretaria estadual de Saúde, no entanto, as escalas de médicos nos grandes hospitais da capital foram suficientes para garantir os atendimentos de maior gravidade. Em nota, a Secretaria informou que nos cinco grandes hospitais de emergência, 54 médicos compareceram e 20 faltaram.

Quatro médicos das Forças Armadas estão trabalhando - dois no Hospital da Restauração e dois no Otávio de Freitas. A nota informou ainda que de sexta-feira até hoje, 24 pacientes da rede pública que precisavam de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foram encaminhados para hospitais privados conveniados na capital e no interior.

A Secretaria de Saúde reforçou o apelo pelo retorno dos profissionais. Os médicos querem isonomia salarial com os neurocirurgiões, que no ano passado, passaram a receber R$ 5 mil. A última proposta do governo é de aumento de 61% de forma escalonada. Em junho de 2010, os profissionais estariam recebendo R$ 4,1 mil, mas a categoria rejeitou.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.