Brasil pode revogar refúgio de paraguaios se receber provas

Rio de Janeiro, 6 mai (EFE). O Brasil está disposto a revogar o refúgio que concedeu a três cidadãos do Paraguai acusados de vínculos com o autodenominado Exército do Povo Paraguaio (EPP) se receber provas de que eles cometerem algum crime, disse hoje o ministro da Justiça brasileiro, Luiz Paulo Barreto.

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Rio de Janeiro, 6 mai (EFE). O Brasil está disposto a revogar o refúgio que concedeu a três cidadãos do Paraguai acusados de vínculos com o autodenominado Exército do Povo Paraguaio (EPP) se receber provas de que eles cometerem algum crime, disse hoje o ministro da Justiça brasileiro, Luiz Paulo Barreto. "Se aparecer provas que comprovem a participação deles em algum delito imediatamente suspenderemos o refúgio, mas até agora o Paraguai não nos apresentou provas", afirmou Barreto em entrevista coletiva com correspondentes estrangeiros. O ministro disse que a disposição brasileira de revogar o refúgio em caso de receber provas foi comunicada às autoridades paraguaias durante o encontro que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve na segunda-feira passada com o governante paraguaio, Fernando Lugo, na fronteira entre ambos os países. "Não basta alegar, é preciso comprovar e até agora não há provas", acrescentou o ministro. O Governo paraguaio solicitou em várias oportunidades ao do Brasil que revisse o refúgio concedido há oito anos a Juan Francisco Arrom, Anuncio Martí e Víctor Colmán, ex-dirigentes do esquerdista Partido Pátria Livre (PPL). Os três se refugiaram no Brasil após serem processados pelo sequestro de Maria Edith Bordón, esposa de um rico empresário, que foi liberada após 64 dias de cativeiro e o pagamento de um resgate de US$ 300 mil, em fevereiro de 2002. As autoridades paraguaias alegam agora que os antigos dirigentes do PPL, entre eles os três refugiados, se reagruparam no autodenominado Exército do Povo Paraguaio (EPP), organização à qual são atribuídos vários sequestros e homicídios. "Em 2006, o Paraguai solicitou a revogação do refúgio, mas os documentos não configuravam provas. Agora apresentaram novos documentos", disse o ministro ao referir-se ao pedido que as autoridades paraguaias apresentaram em fevereiro para que o Brasil entregue os três refugiados. Barreto acrescentou que as autoridades brasileiras mantiveram os três cidadãos paraguaios sob vigilância sem ter até agora indícios que tenham participado de atos suspeitos no Brasil ou no Paraguai. "O assunto foi discutido com muita maturidade durante a reunião dos presidentes dos dois países esta semana e repetimos diante das autoridades paraguaias que o Brasil não está disposto a ser refúgio de criminosos nem de terroristas", afirmou. EFE cm/dm

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