Bento XVI chega a Lisboa como um "peregrino de Fátima"

Lisboa, 11 mai (EFE).- O papa Bento XVI afirmou hoje que chega a Portugal "como um peregrino de Fátima" ao iniciar, com uma cerimônia no aeroporto de Lisboa sua primeira visita ao país, do qual ressaltou sua grande tradição católica e de evangelização.

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Lisboa, 11 mai (EFE).- O papa Bento XVI afirmou hoje que chega a Portugal "como um peregrino de Fátima" ao iniciar, com uma cerimônia no aeroporto de Lisboa sua primeira visita ao país, do qual ressaltou sua grande tradição católica e de evangelização. O presidente português, Aníbal Cavaco Silva, o primeiro-ministro, José Sócrates, e os responsáveis pelos poderes legislativo e judicial, entre outros políticos, e a cúpula da Igreja Católica, receberam o Pontífice no aeroporto. Antes de entrar no "papamóvel" para dirigir-se à capital e iniciar a visita, Bento XVI afirmou, em um breve discurso em português, que inicia a viagem, que até sexta-feira o levará também às cidades de Fátima e Porto, "sob o sinal da esperança". "Não se trata de um confronto em um sistema laico e o religioso". Ele caracterizou sua visita ao país como uma peregrinação ao Santuário de Fátima, o mesmo que fazem milhares de visitantes, sobretudo no mês de maio, quando se lembram dos aniversários das aparições de 1917. Bento XVI lembrou que esta é sua primeira visita a um país que sempre manteve uma especial relação com a Igreja Católica e foi distinto por esta com o título de "fidelíssimo pelos altos e continuados serviços à causa do Evangelho". O chefe de Estado luso deu as boas-vindas ao Pontífice e exaltou como ele a tradição católica de seu país e disse que "não é possível explicar Portugal sem as relações com a Santa Sé" desde suas origens como nação independente. Tanto Cavaco, como o papa mencionaram a concordata de 2004 ao que se adaptaram as relações entre o Estado luso e o Vaticano e o presidente português afirmou que "a separação entre Igreja e Estado convive com as marcas profundas da herança cristã presente na cultura, no patrimônio e nos valores humanistas" de sua nação. O conservador Cavaco destacou também o "intenso fervor" e a alegria dos fiéis lusos pela visita do papa, que recebeu a saudação de muitos lisboetas à passagem de seu veículo pelas ruas da cidade. Em seu discurso, o presidente luso apelo à solidariedade entre as nações e os povos nos atuais tempos de crise e manifestou ao Pontífice que "os homens precisam uma mensagem de esperança". A visita de Bento XVI a Portugal inclui várias missas em espaços abertos que se preveem grandes. "A maior perseguição da Igreja não vem de inimigos de fora, nasce do pecado da Igreja. A Igreja tem uma profunda necessidade de aprender a penitência, de aceitar a purificação, de aprender o perdão e a necessidade de justiça", assegurou Bento XVI. Bento XVI afirmou que "embora o mal ataque, o bem sempre está presente, Cristo é mais forte que o mal e Nossa Senhora é a garantia materna, a bondade de Deus tem a última palavra na história". O Pontífice respondeu desta maneira às perguntas dos jornalistas se o significado da mensagem de Fátima se referia em seu terceiro segredo ao atentado que sofreu João Paulo II na Praça de São Pedro do Vaticano em 1981 e aos sofrimentos que a Igreja atravessa pelos casos de abusos sexuais por parte de padres e clérigos. O papa ressaltou que a mensagem de Fátima é para todos e não para uns poucos e que a visão do sofrimento do papa se personifica em João Paulo II quando sofreu o atentado, embora também o terceiro segredo refira-se a outros sofrimentos da Igreja. Com relação a isso, Bento XVI manifestou que "o Senhor sempre nos disse que a Igreja sofrerá embora de maneira diferente até o final do mundo". Segundo Bento XVI, o importante é que o terceiro segredo é "eterno", é uma mensagem para todos os tempos, para todos os sofrimentos da Igreja e para todos os papas. Esta é a grande novidade que Bento XVI introduziu neste segredo revelado em junho de 2000, durante a visita de João Paulo II à Fátima para beatificar Francisco e Jacinta. O papa insistiu em que a mensagem é uma chamada à conversão, a penitência e a prece. Sobre a crise econômica insistiu em que não se pode esquecer o componente ético e comentou que se vive em um puro pragmatismo econômico que prescinde da realidade do homem e que não dará frutos, mas criará problemas. EFE jl/dm

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