12/02/2009 - 18:38 - BBC Brasil
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o suposto ataque de neonazistas contra a advogada brasileira Paula Oliveira na cidade suíça de Zurique foi "grave" e "chocante", mas que é preciso aguardar o trabalho da polícia. "Temos confiança de que a polícia suíça manterá a transparência e o rigor na investigação", disse o chanceler, em seus primeiros comentários em público sobre o caso.
Segundo Amorim, o caso tem "aparência xenofóbica" e, se isso for confirmado, ele "se torna ainda mais sério". Entretanto, mesmo que não tenha tido essa motivação, a agressão "por si só já é grave", afirmou.
O ministro não quis comentar quais medidas o governo brasileiro pretende tomar caso sejam confirmadas as suspeitas de motivação xenofóbica. "Não vou falar sobre aspectos hipotéticos", disse.
Na manhã desta quinta-feira Amorim telefonou para a cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitória Cleaver, que estava no hospital acompanhando pessoalmente o caso de Paula. "Transmiti a ela a preocupação do governo brasileiro", disse o ministro.
Ainda pela manhã, Amorim convidou o embaixador da Suíça para uma conversa, no Itamaraty. O embaixador, no entanto, não estava na cidade e enviou o encarregado de negócios da embaixada, Claude Crottaz.
De acordo com a assessoria de imprensa do Itamaraty, durante a conversa o ministro Amorim reafirmou a preocupação do governo brasileiro, não apenas em relação à apuração dos fatos, mas também em relação à punição pelo crime.

"A mulher foi levada para o hospital para realizar mais exames e foi realizada uma ampla busca no local do crime", acrescenta o comunicado. "Não é possível dar mais informações sobre os exames médicos."
A polícia também confirmou que Paula foi encontrada com "ferimentos superficiais de objetos cortantes" na pele e que, neles, "podiam ser reconhecidas em diversas partes do corpo letras isoladas".
Fotos da brasileira divulgadas pela imprensa no Brasil mostram que, nas pernas de Paula, é possível ler a sigla "SVP" escrita com cortes. A sigla é a mesma de um partido político suíço de extrema-direita.

O Ministério das Relações Exteriores confirmou na noite da quarta-feira que recebeu um relato de Paula sobre o episódio em Zurique.
No momento da agressão, segundo o Itamaraty, ela estaria falando ao telefone celular em português com a mãe, o que reforçaria a hipótese de que o crime teria sido cometido por um grupo xenófobo.
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