Um relatório da Academia de Ciências Sociais da China (CASS, em inglês) divulgado nesta segunda-feira prevê um cenário difícil para a economia da China em 2009. O documento publicado pela prestigiosa universidade pública de Pequim compila estatísticas e análises econômicas e é produzido todos os anos.
O levantamento para 2009 aponta para o risco de um colapso no mercado imobiliário, aumento no desemprego e um crescente desequilíbrio entre ricos e pobres, o que poderia causar inquietação social no país.
Cerca de 4 milhões de trabalhadores imigrantes já perderam o emprego por causa da crise e 150 milhões de operários estão sendo afetados pela retração das indústrias de manufatura intensiva, sugere a CASS.
Alem disso, estima-se que um quarto dos 6,5 milhões de graduandos que buscam emprego a cada ano não encontrará vagas no mercado em 2009.
Exportações
O estudo cita o contexto internacional para explicar a queda nas exportações de manufaturas chinesas, o que levou à demissão de milhares de trabalhadores.
Grandes parceiros comerciais como Europa, Estados Unidos e Japão enfrentam temores de uma recessão prolongada e não estão comprando da China produtos industriais de baixo valor agregado como costumavam.
Segundo estatísticas da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, mais de 10 mil empresas de pequeno e médio porte já fecharam as portas na primeira metade do ano somente no setor têxtil.
Pelo menos dois terços das empresas que sobreviveram precisam passar por uma reestruturação, apontou o levantamento.
De acordo com estimativas do governo, o ritmo de crescimento do PIB deverá ficar entre 8% e 9% no ano que vem.
Porém, previsões independentes do Banco Mundial sugerem uma desaceleração do crescimento para até 7,5%, em contraste com os quase 12% observados no ano passado.
As autoridades chinesas não desejam que a expansão da economia seja inferior a 8%, pois esse progresso é necessário para manter o nível de desemprego sob controle.
Atualmente pouco mais de 4% da população economicamente ativa está ociosa, e o governo estima que até o fim do ano esse número atinja 4,5%, um nível de desemprego considerado "crítico" pelo ministro de Recursos Humanos e Estabilidade Social, Yin Weimin.