iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

publicidade

ULTIMO SEGUNDO

 

iG BUSCA

enhanced by


Home > Notícia
  • Tamanho do texto
  • A
  • A

Maioria no STF apóia demarcação contínua de reserva

10/12/2008 - 19:34 - BBC Brasil

BBC BRASIL

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu votar a favor da demarcação contínua das terras da reserva indígena Raposa Serra do Sol, palco de disputas entre índios e produtores de arroz. Apesar de oito dos 11 juízes terem votado a favor da demarcação contínua, como queriam os índios ligados ao Conselho Indígena de Roraima (CIR), o presidente do STF, Gilmar Mendes, decidiu suspender a sessão sem o anúncio do veredicto, concedendo ao juiz Marco Aurélio de Mello o direito de vista do processo.


Nos votos favoráveis, os juízes impuseram condições para a aplicação da decisão. O ministro Carlos Alberto Menezes Direito estabeleceu 18 condições a serem seguidas pelas populações indígenas da reserva.

A ministra Cármen Lúcia foi contra a retirada de todos os não-índios da região, enquanto o juiz Ricardo Lewandowsky pediu a retirada imediata de "todos os que exercem a ocupação ilegal" da reserva.

Interrupção

A sessão no STF chegou a ser interrompida na manhã desta quarta-feira, depois que Marco Aurélio de Mello fez o pedido de vista do processo. Mas, depois do almoço, os juízes decidiram retomar o julgamento.

Antes de a sessão ser suspensa, o ministro Cezar Peluso afirmou que como o assunto é "de extrema importância", seria necessário avaliar prós e contras de um eventual adiamento "de uma questão que já está pendente há muito tempo e cujas repercussões são extremamente relevantes".

O julgamento é considerado um dos mais complexos da história da corte. A ação começou a ser julgada em 27 de agosto, mas após a leitura do primeiro voto, do relator Carlos Ayres Britto, a votação foi suspensa por pedido do ministro Carlos Alberto Menezes Direito.

A importância da decisão vai além da disputa entre indígenas, políticos e agricultores locais. Isso porque o julgamento de Raposa Serra do Sol deverá servir de parâmetro para casos similares em todo o país.

Existem cerca de 140 processos relativos a demarcações de terras indígenas no Brasil tramitando nas diversas instâncias. A decisão do STF não precisa ser adotada obrigatoriamente, mas passará a ser vista como base para as próximas decisões sobre o assunto.

Desde 2004, 72 processos sobre demarcação de terras indígenas foram ajuizados no STF, sendo que seis encontram-se em movimentação interna na casa.

Bahia

No final de setembro, uma ação para retirada de fazendeiros da reserva indígena Caramuru-Paraguaçu, no sul da Bahia, também teve seu julgamento adiado pelo STF em função de pedido de vista do ministro Carlos Alberto Menezes Direito.

O relator do caso, ministro Eros Grau, votou a favor da retirada dos não-índios da região. A ação foi impetrada pela Fundação Nacional do Índio e há 26 anos tramita no Supremo.

O caso de Raposa Serra do Sol trouxe à tona um debate que vai além da demarcação de uma reserva indígena. Temas como segurança nacional, respeito à Constituição e desenvolvimento econômico também têm sido levantados.

Diversos atores participaram do debate, entre eles o governo federal, políticos locais, grupos indígenas, organizações não-governamentais (ONGs), associações de classe, militares e acadêmicos.

Histórico

A ação impetrada pelos senadores Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) e Augusto Botelho (PT-RR) questiona a legalidade da demarcação de uma área contínua de 1,7 milhão de hectares para a reserva. A demarcação da região foi homologada em 2005, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na sessão do final de agosto, antes do pedido de vista do ministro Menezes Direito, o relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, votou pela demarcação contínua, ou seja, sem qualquer área destinada aos brancos.

Na época, a decisão causou surpresa, pois havia expectativa de uma decisão que propusesse uma solução intermediária.

Em seu voto (que tem 105 páginas), o relator Ayres Britto disse ser contra a divisão do território como um "queijo suíço", que, segundo ele, se caracterizaria como "asfixia espacial" e "confinamento sem grades" para os índios.


Leia mais sobre Raposa Serra do Sol







US Multimídia


Publicidade


Matérias Relacionadas

Prefeito de Pacaraima se revolta com decisão do STF

Índios pedem mais segurança na reserva Raposa Serra do Sol

Conheça os grupos em conflito na Raposa


Enquete


 

Contador de notícias