10/12/2008 - 06:43 - BBC Brasil
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, completa um ano de governo nesta quarta-feira com uma acentuada queda de popularidade em relação ao apoio que recebeu quando foi eleita, em outubro do ano passado.
A presidente venceu as eleições com 45% dos votos e, pouco depois de assumir o cargo, no dia 10 de dezembro de 2007, sua imagem positiva era de 56%, segundo pesquisa da Poliarquia Consultores.
O mesmo instituto, no entanto, realizou um levantamento no mês passado e constatou que o índice de aprovação à presidente caiu para apenas 29%.
Outra pesquisa, do instituto Management & Fit, publicada esta semana, mostrou que 26% dos argentinos aprovam a administração de Cristina - uma leve alta em relação aos cerca de 20% de junho. Mas, em fevereiro passado, este índice era de 51,5%.
Polêmicas
As diferentes pesquisas de opinião indicam que o apoio popular à presidente começou a cair após o anúncio, no último mês de março, do aumento de impostos às exportações do setor agrário - braço tradicional da economia argentina.

Cristina Kirchner completa um ano de governo em meio a polêmicas / Reuters
A partir do mês passado, Cristina começou a fazer sucessivos anúncios econômicos, como a estatização da previdência privada, já aprovada, e planos para estimular o consumo.
"As medidas ainda não fizeram efeito porque falta confiança dos consumidores na gestão oficial", disse o economista Orlando Ferreres, da consultoria Ferreres e Associados.
A ministra da Produção, Débora Giorgi, no entanto, afirma que "as medidas pretendem manter o ritmo da atividade econômica".
Mesmo com a polêmica, as medidas anunciadas por Cristina receberam apoio de alguns líderes da oposição, como o governador da província de Santa Fé, o socialista Hermes Binner, que apoiou por exemplo, a reestatização da previdência privada.
Ele, no entanto, também tem críticas ao governo.
"Só lamento a falta de diálogo do governo (com a oposição). E essa influência de Kirchner que não faz bem a Cristina e nem ao país", disse.
Kirchner
Marido de Cristina e seu antecessor na presidência, Nestor Kirchner é considerado por muitos como uma espécie de eminência parda no governo.
Durante sua gestão, de 2003 a 2007, a Argentina registrou forte crescimento econômico e queda na pobreza. Seu governo, no entanto, também ficou marcado por disputas políticas internas e internacionais - como com o Uruguai, por exemplo.

Cristina e o marido, Nestor, durante as eleições argentinas / Arquivo
Imprensa
Esta semana, os principais jornais do país resumiram, em tom crítico, este primeiro ano de mandato de Cristina.
"A gestão presidencial foi marcada pelas disputas, a sombra de (Nestor) Kirchner, a busca por financiamentos e a crise econômica (internacional)", escreveu o La Nación.
Por sua vez, o El Cronista publicou: "Cristina, um ano no poder e pouco para comemorar".
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