13/11 - 16:40 - BBC Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao papa Bento 16 nesta quinta-feira que fale publicamente sobre a crise financeira internacional e dê conselhos sobre como enfrentar seus efeitos. "Falamos da crise e pedi que, em seus pronunciamentos, fale da crise, porque se todo domingo ele der um conselhozinho, quem sabe a gente não encontra mais facilidade para resolver a crise econômica", disse Lula durante uma coletiva a jornalistas brasileiros, após o encontro.
![]() |
|
Papa Bento 16 recebe Lula no Vaticano |
"Lá, nós temos alemães, italianos, japoneses, portugueses, árabes, judeus, bolivianos, uruguaios, argentinos e aprendemos a viver em harmonia. Então, o que nós queremos é que o mundo trate os imigrantes como parceiros", acrescentou Lula.
"Se não querem que africanos venham para cá, que os latino-americanos não vão para os Estados Unidos, a melhor forma é ajudar esses países a se desenvolver."
Troca de presentes
Lula disse ter presenteado o papa com a escultura em barro de uma família de retirantes, feita por um artista pernambucano. De Bento 16, o presidente ganhou uma caneta.
Ele ainda disse ter ficado "surpreendido" porque o papa está muito bem informado sobre o Brasil.
"Antes de ir ao Brasil, o papa passava a imagem de um homem sisudo, de poucos amigos", afirmou Lula. "Na verdade, quando ele chegou, chegou um homem afável, acho que ele conquistou o Brasil e que o Brasil o conquistou."
Ainda segundo o presidente, o Brasil sempre trabalhou e sempre vai trabalhar para ter uma boa relação com todos os papas e com o Estado do Vaticano porque a "relação da Igreja com o Brasil é indissociável".
Acordo
Depois do encontro, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o secretário do Vaticano para Relações com outros Estados, monsenhor Dominique Mamberti, assinaram o Acordo Brasil-Santa Sé.
O documento consolida as relações entre a Igreja Católica e o Estado brasileiro, mas, na prática, não altera em nada o que já está em vigor.
As 17 cláusulas do acordo já constam dos instrumentos jurídicos brasileiros, como a Constituição, os Códigos Civil e Penal, assim como de tratados internacionais.
O documento aborda questões como o ensino religioso facultativo nas escolas públicas e reafirma a imunidade tributária para pessoas jurídicas eclesiásticas, como igrejas e arquidioceses.
O acordo havia sido apresentado pela Santa Sé em outubro de 2006 e, desde então, passou por ajustes. Entre as emendas está a que assegura o ensino facultativo nas escolas públicas não apenas da religião católica, como também de outras crenças.
Segundo a embaixadora brasileira junto ao Vaticano, Vera Machado, o ensino facultativo de todas as religiões já está previsto no artigo 210 da Constituição e na Lei de Diretrizes e Bases do Ministério da Educação. Portanto, não altera o que já está em vigor.
O cardeal brasileiro d. Cláudio Hummes, que esteve presente na assinatura do ato, disse que o acordo reafirma o caráter laico e de pluralidade religiosa da sociedade brasileira e que em nenhum momento a Igreja procurou obter "privilégios".
"No fundo, consagra apenas aquilo que é a laicidade do Estado e a liberdade religiosa", afirmou o cardeal.
Leia mais sobre Lula - Papa Bento 16

Publicidade
Lula reafirma que sistema financeiro mundial precisa de regulação
Brasil é 'exemplo para o mundo' no combate à pobreza, diz jornal dos EUA