30/09 - 06:03 - BBC Brasil
Os mercados da Ásia e da Europa voltaram a cair nesta terça-feira, refletindo a decisão da Câmara dos Representantes dos EUA de rejeitar o plano do governo americano para tentar barrar a crise econômica.
Logo após a abertura, os principais indicadores europeus registraram quedas em torno de 2% - mas logo se recuperaram diante da esperança de que uma ajuda ao setor financeiro, adiada agora, venha mais adiante.
Às 05h22 do Brasil, o índice FTSE 100 registrava leve alta de 0,05% para 4.821,40 pontos em Londres, enquanto o CAC 40 recuava 0,49% para 3.934,17 pontos em Paris e o DAX perdia 1,19% para 5.738,04 pontos em Frankfurt.
Os mercados europeus registravam indicadores melhores que algumas praças asiáticas, onde os resultados foram acentuadamente negativos.
Na Rússia, as negociações foram suspensas logo após o início do pregão e até a hora do almoço, para evitar perdas maiores. Um dia antes, o principal índice, RTS, fechou em queda de 7,11%, enquanto o MICEX havia perdido 5,5%.
Em Tóquio, o índice Nikkei 225 fechou em queda de 4,12% para 11.259,86 pontos, o nível mais baixo dos últimos três anos.
Já a queda em Seul foi menor: 0,57%.
E em Hong Kong, o índice Hang Seng chegou a se recuperar e registrar alta: 0,8% para 18.106,21 pontos.
Na China, a bolsa de Xangai está fechada para feriado até o dia 6 de outubro.
Nesta terça-feira, líderes asiáticos manifestaram sua preocupação com o futuro do pacote de ajuda de US$ 700 bilhões dos Estados Unidos aos bancos.
"Isto (o fracasso do plano) vai ter um grande impacto na economia dos EUA e também vai afetar a economia global", afirmou o ministro da Economia do Japão, Kaoru Yosano.
Já o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, afirmou ter conversado com o premiê britânico, Gordon Brown, e os dois teriam concordado em pedir ao Congresso americano urgência para aprovar o acordo.
Na Austrália, a bolsa de Sidney marcou queda de 4,3%.
Pronunciamento de Bush
O presidente George W. Bush fará um pronunciamento sobre a crise na manhã desta terça-feira. Mas, segundo Justin Webb, correspondente da BBC na América do Norte, o discurso não deve ter grandes efeitos sobre a economia.
O Congresso não deve se reunir novamente até a próxima quinta-feira, o que tornará difícil uma outra votação sobre o pacote antes do final de semana, segundo o correspondente da BBC em Washington, Jonathan Beale.
A Câmara dos Estados Unidos rejeitou nesta segunda-feira, por 228 votos contra 205, o megapacote econômico de US$ 700 bilhões proposto pelo governo americano.
Cerca de dois terços dos deputados republicanos, correligionários do presidente George W. Bush, votaram contra o pacote.
Os deputados republicanos levantaram objeções tanto quanto ao conteúdo do pacote como à pressa em que ele foi colocado em votação.
No fim de semana, líderes partidários haviam chegado a um acordo em relação a pontos polêmicos, como mecanismos de supervisão do mercado financeiro, proteção para os contribuintes e limites aos salários de executivos de instituições financeiras.
As concessões, porém, não foram suficientes para convencer boa parte dos congressistas a seguir a orientação dos líderes no plenário.
Na segunda-feira, a Bolsa de Valores de Nova York registrou sua maior queda em pontos em um único dia na história.
O índice Dow Jones fechou a segunda-feira com queda de 6,98%, e o índice da bolsa eletrônica Nasdaq recuou 9,14%.
O Dow Jones acumulou uma queda de 777,68 pontos. A baixa recorde anterior era de 721,56 pontos, alcançada no primeiro dia de negócios na bolsa de Nova York após os ataques de 11 de setembro de 2001.
Seguindo a tendência americana, a Bolsa de Valores de São Paulo também despencou. O índice Bovespa terminou a segunda-feira com queda de 9,36%, depois de alcançar baixa de 13%.
As negociações chegaram a ser paralisadas depois que o índice Bovespa recuou mais de 10% no início da tarde.
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