12/09 - 14:28 - BBC Brasil
O governo americano acusou os líderes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales, de agir com desespero ao expulsar os embaixadores americanos de seus países.
Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, a ação dos dois países ''reflete a fraqueza e o desespero destes dois líderes, que estão enfrentando desafios internos e possuem pouca habilidade em se comunicar de forma eficaz internacionalmente, de modo a obter apoio internacional''.

Chávez anuncia expulsão de embaixador norte-americano / AP
Os comentários de McCormack se deram no mesmo dia em que o governo americano anunciou a adoção de sanções contra dois integrantes do governo Hugo Chávez e contra um ex-funcionário da administração venezuelana.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos acusou Armando Carvajal Barrios e Henry de Jesús Rangel Silva, que atuam na administração da Venezuela, e Ramon Rodríguez Chacín, que não está mais no governo de Hugo Chávez, de dar apoio material a operações de narcotráfico conduzidas pelo grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc.
Lista negra
Com a inclusão dos venezuelanos na lista negra de traficantes, o Tesouro congelou quaisquer bens que os três possam ter nos Estados Unidos e proibiu qualquer americano de manter relações comerciais com eles, sob pena de encarar uma sentença de 30 anos de prisão.
Rodríguez Chacín, o ex-funcionário acusado pelo Tesouro americano, é um militar aposentado e integra o ciclo de pessoas próximas a Hugo Chávez. Ele deu forte apoio à tentativa de golpe comandada pelo então tenente-coronel Chávez, em 1992, contra o governo de Carlos Andrés Pérez.
Com a ascenção de Chávez à Presidência, em 1999, Rodríguez Chacín passou a integrar a missão venezuelana de obervadores das negociações entre o governo da Colômbia e as Farc.
Escalada
A escalada da tensão entre Estados Unidos e Venezuela e Bolívia se intensificou após os latino-americanos terem acusado os americanos de ter incitado os protestos violentos que tomaram as ruas bolivianas nos últimos dias, provocando a morte de pelo menos 14 pessoas.
Por conta do suposto envolvimento americano, a Bolívia decidiu expulsar o representante americano no país. Em solidariedade à Bolívia, a Venezuela adotou ação idêntica.
De acordo com o porta-voz do Departamento de Estado, ''as duas acusações são falsas e os líderes destes países sabem disso''.
Em retaliação à ação dos países andinos, os Estados Unidos expulsaram os respectivos embaixadores da Venezuela e da Bolívia de Washington.
Ameaça de Chávez
Hugo Chávez ameaçou cortar o fornecimento de petróleo venezuelano aos Estados Unidos.
O país conta com uma das maiores reservas petrolíferas mundiais fora do Oriente Médio e, a despeito das crescentes tensões com os americanos, nunca deixou de fornecer petróleo para o mercado americano.
Chávez afirmou ainda que não irá retomar plenas relações diplomáticas com os Estados Unidos até que o presidente George W. Bush deixe a Casa Branca.
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