11/08 - 08:11 - BBC Brasil
O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, assinou uma proposta de cessar-fogo apresentada pela União Européia nesta segunda-feira na capital, Tbilisi. O documento foi assinado por Saakashvili ao lado do ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner e da Finlândia, Alexander Stubb, que estão na Geórgia para tentar negociar o fim do conflito.
Os detalhes da proposta ainda são desconhecidos, mas parte do conteúdo do plano envolve o cessar-fogo imediato, a retirada controlada das tropas dos lados e eventuais discussões políticas.
Nesta segunda-feira, o presidente russo Dmitri Medvedev, afirmou que a operação militar russa na Ossétia do Sul estaria próxima do final. Apesar disso, os conflitos continuam na região.
Cessar-fogo
No domingo, o presidente da Geórgia declarou cessar-fogo e propôs o início das negociações com a Rússia para pôr fim à violência na Ossétia do Sul, que quer independência da nação georgiana e tem o apoio de Moscou.
Entretanto, a Rússia rejeitou o cessar-fogo, afirmando que tropas da Geórgia continuavam na província separatista.
A Geórgia acusa a Rússia de bombardear alguns alvos próximos da capital do país, Tbilisi, no domingo.
Ao mesmo tempo, Moscou acusa as tropas da Geórgia de bombardear a capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali. O governo russo insiste que as tropas georgianas sejam completamente retiradas da Ossétia do Sul para que qualquer decisão de cessar-fogo seja cumprida.
O ministro do Interior da Geórgia, Shota Utiashvili, afirmou que os ataques recentes da Rússia teriam atingido uma base militar e uma estação de radares na manhã desta segunda-feira. Não há informações sobre mortos ou feridos.
Milhares de pessoas deixaram Gori, depois de um anúncio de que tropas russas estariam se dirigindo em direção à cidade.
Há relatos de que a Rússia teria realizado uma ofensiva aérea contra a cidade na manhã desta segunda-feira, depois de diversos ataques durante a madrugada.
A Acnur, agência de refugiados da ONU, estima que cerca de 40 mil pessoas deixaram a cidade de Gori nos últimos dias, o que representa 80% da população.
A Acnur e agências humanitárias pedem que as partes em conflito criem um corredor para a passagem de civis que querem deixar a zona atingida.
Pressão
A comunidade internacional continua pressionando a Rússia pelo fim do conflito.
O presidente americano, George W.Bush e seu vice, Dick Cheney, criticaram a ofensiva militar russa na Ossétia do Sul e o governo alertou o país sobre as possíveis conseqüências da ação para as relações internacionais da Rússia.
Em entrevista ao canal de televisão NBC, Bush citou uma conversa que teve com o premiê russo, Vladimir Putin, na qual teria dito que a resposta russa na Geórgia foi "desproporcional".
"Disse que a violência era inaceitável. Fui muito firme com Vladimir Putin e espero que isso se resolva de maneira pacífica", disse Bush.
A postura do governo americano foi reforçada ainda pelo vice-presidente, Dick Cheney, em uma conversa telefônica com o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili.
Em um comunicado emitido pelo seu gabinete, Cheney teria dito ao líder da Geórgia que a agressão russa "não pode ficar sem respostas".
De acordo com Cheney, a contínua violência contra a Geórgia traria graves conseqüências para as relações da Rússia com os Estados Unidos e com o restante da comunidade internacional.
Segundo o correspondente da BBC em Washington, Justin Webb, a conversa parece ter sido um esforço de enviar uma mensagem não apenas de solidariedade, mas de que o país estaria pronto para agir.
No entanto, oficiais da Casa Branca se recusaram a especular sobre a reação americana caso a ação militar russa na Geórgia continue.
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