22/07 - 06:59 - BBC Brasil
Um editorial do jornal britânico "The Independent" afirma nesta segunda-feira que um fracasso na última rodada de negociações para liberalização do comércio global não representa necessariamente uma "catástrofe". Entretanto, o jornal diz que há fortes razões para dedicar atenção à nova bateria de encontros que acontece desde a segunda-feira na sede da OMC (Organização Mundial de Comércio), em Genebra.
"Claramente, um acordo em Genebra é do interesse de todos. Mas se não puder ser alcançado, não há razão para que o momentum para a redução de tarifas e a remoção de barreiras alfandegárias fique parado nos trilhos", argumenta o editorial.
"Ainda há muito que pode ser feito bilateralmente, como já mostraram os Estados Unidos e a União Européia em negociações regionais. Basta vontade política e a velha virtude de convencer o público a acompanhar (o líder)."
Ainda assim, o "Independent" alerta que o livre comércio é importante demais para ser deixado nas mãos dos grandes países, em detrimento dos demais.
Além disso, desta vez as negociações enfrentam um obstáculo real: se fracassarem, as chances de retomá-las uma vez iniciado o processo eleitoral americano são virtualmente nulas, diz o jornal.
Para o editorial, "o processo de derrubar barreiras tarifárias foi o que ajudou a promover o crescimento pelo período mais longo de expansão sustentada visto no mundo moderno nas últimas décadas".
"Pare este processo e o medo é de que a economia mundial dê marcha-ré, à medida que os países voltarem a erguer suas barreiras."
Outros jornais
As negociações em Genebra foram destaque também em outros jornais estrangeiros.
Ainda na Grã-Bretanha, o Daily Telegraph afirma que o Brasil "esnobou" a oferta européia de diminuir as tarifas nas importações agrícolas - que teria sido descrita como "propaganda" pelos delegados brasileiros.
Na Argentina, o jornal La Nacion destacou que o início do diálogo na OMC foi "frustrante", e que "para a Argentina, Brasil e Índia, não houve avanço nas negociações pelos subsídios agrícolas".
Mas o jornal cita o principal negociador argentino, Alfredo Chiaradía, para quem a falta de avanços no primeiro dia "é normal".
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