21/07 - 07:07 - BBC Brasil
Em análise publicada nesta segunda-feira, o jornal espanhol El País afirma que o Brasil é um dos "melhores aliados" do governo colombiano na questão envolvendo a libertação dos reféns da guerrilha. O texto comenta a visita do presidente Luís Inácio Lula da Silva a Bogotá e sua participação no concerto de domingo pela libertação dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Segundo o jornal, a presença de Lula e do presidente peruano, Alan Garcia, no concerto na Amazônia colombiana representa um importante gesto político.
"Brasil e Peru se converteram nos melhores aliados do governo colombiano em um momento de graves tensões com a Venezuela, Equador e Nicarágua, cujo presidente, Daniel Ortega, insiste em desafiar Bogotá dando um tratamento de irmandade a uma guerrilha catalogada como terrorista pela Europa e Estados Unidos", afirma a análise, assinada por Maite Rico.
Segundo o El País, assim como o Equador e a Venezuela, o Brasil e o Peru também sofrem incursões das Farc em seu território.
A diferença, segundo Bogotá, é que os governos brasileiro e peruano colaboram lealmente com as autoridades colombianas - "o que não é o caso de Quito e, sobretudo, de Caracas, segundo revelaram os computadores de Raul Reyes, o número dois da guerrilha, morto em março em um bombardeio da aviação colombiana", escreve a analista.
De acordo com a análise, as Farc buscaram apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para alcançar projeção política. Por outro lado, as tentativas de mediação da França e da Suíça foram infrutíferas e deixaram um "gosto ruim" na boca de Bogotá.
"Mas ontem o presidente colombiano, Álvaro Uribe, louvou 'a prudência' de Lula em respeito à Colômbia e expressou sua confiança no presidente brasileiro", afirma o jornal. "Lula tem consciência da carga sobre seus ombros e o peso da liderança regional que se contrapõe aos afãs hegemônicos de Chávez."
Para o El País "a mensagem que (Lula) envia com sua visita à Colômbia, onde assinou vários acordos de cooperação econômica, militar e de segurança fronteiriça não pode ser mais clara. Há um eixo social-democrata que marca distâncias com o eixo bolivariano".

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