20/06 - 08:21 - BBC Brasil
O principal partido de oposição do Zimbábue, Movimento para Mudança Democrática (MDC), está cogitando abandonar a corrida presidencial e não participar do segundo turno das eleições, marcadas para o dia 27 de junho. Uma fonte do partido disse à BBC que o líder e candidato do partido à presidência, Morgan Tsvangirai, está sob pressão para retirar sua candidatura diante da crescente violência contra seus partidários.
Os principais líderes do MDC se reúnem nesta sexta-feira em Harare, capital do país, para discutir a permanência da candidatura no segundo turno, mas não confirmaram se a decisão será tomada nas próximas horas.
De acordo com o correspondente da BBC na África do Sul, Peter Biles, há uma preocupação crescente de que a violência política que vem se espalhando pelo país nos últimos dias tornará impossível a realização de eleições livres e justas.
Fontes do MDC dizem que pelo menos 70 de seus partidários foram mortos e outros 25 mil expulsos de suas casas numa campanha de violência patrocinada pelo governo.
Ainda segundo membros do partido, a polícia vem boicotando comícios do MDC, tendo detido e soltado Tsvangirai em várias ocasiões.
Sanções
Morgan Tsvangirai obteve a maioria dos votos no primeiro turno, mas não a maioria necessária para vencer em segundo turno.
Segundo o correspondente da BBC, se o MDC desistir de concorrer estará entregando a vitória de presente ao presidente Robert Mugabe.
"Tsvangirai enfrenta uma escolha difícil. Se desistir da candidatura, entregará a vitória a Mugabe, que poderá ficar numa posição vantajosa caso houver negociações para a formação de um governo de coalizão", diz o correspondente.
Por outro lado, avalia Biles, uma eventual vitória de Mugabe diante das atuais circunstâncias poderia não ser reconhecida pela comunidade internacional e não ganhar legitimidade por parte de centenas de observadores eleitorais.
Ainda nesta sexta-feira, a União Européia disse "estar pronta a aprovar novas sanções contra os que praticam a violência no Zimbábue".
O bloco já vem aplicando medidas contra o país, como o embargo de armas e a imposição de restrições de viagens ao presidente Mugabe e outras autoridades do governo.
A União Africana e a Comunidade Sul-Africana de Desenvolvimento devem enviar em breve um grande número de observadores eleitorais tentar garantir a legitimidade do pleito.
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