O homem com um dos cargos mais importantes na política externa dos Estados Unidos, o almirante William Fallon renunciou nesta terça-feira, menos de um ano após assumir o posto. Como líder do Comando Central americano, ele esteve à frente da estratégia americana no Oriente Médio, África do Norte e Ásia Central.
A posição lhe tornou responsável pela área que cobre o Iraque, Afeganistão e o Paquistão, fazendo dele um dos principais atores na "guerra contra o terrorismo", liderada pelos Estados Unidos.
Mas suas diferenças perceptíveis com o presidente americano, George W. Bush, sobre outro possível teatro de operações - o Irã - foi o que provocou sua saída prematura.
Fallon foi o tema de um artigo publicado recentemente pela revista Esquire, que dizia que o comandante se opunha ao uso da força contra o Irã devido ao polêmico programa nuclear do país.
Em comunicado, Fallon disse que "recentes artigos publicados pela mídia sugerindo uma desconexão entre os meus pontos de vista e os objetivos políticos do presidente se tornaram um distúrbio num momento crítico e atrapalha os esforços na região do Comando Central".
Carreira ilustre
A saída do almirante significa o fim de uma carreira ilustre. A sua nomeação para liderar o Comando Central provocou espanto não apenas porque alguns pensavam que ele não era merecedor do posto, mas também porque é incomum que oficiais da marinha sejam promovidos ao cargo, geralmente reservado para generais do exército.
O almirante de 63 anos, conhecido como Fox, é visto como um comandante astuto.
Ele cresceu em Merchantville, em Nova Jersey, e se formou pela Universidade de Villanova, em 1967.
Fallon combateu como piloto naval durante a guerra do Vietnã, comandou o ataque de um esquadrão durante a Guerra do Golfo, em 1991, e participou da missão da Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan) na Bósnia.
Como líder do Comando Pacífico, dois anos antes de assumir o último posto, ele ficou no comando de um grupo de 300 mil soldados composto de todos os setores das forças armadas, o equivalente a 20% de todos militares na ativa nos EUA.
Durante o tempo em que esteve à frente do Comando Central, suas ações em relação ao Iraque foram as que mais se destacaram.
Entre elas, a implantação da política de introduzir mais soldados no país, contribuindo para a diminuição da violência e melhoria nas condições precárias de segurança.
Ao comentar a renúncia, Bush afirmou que o almirante merece "crédito pelo progresso que foi alcançado no Iraque e no Afeganistão".
Mas, ao que parece, seu crédito não foi suficiente para convencer seus chefes de que ele não deveria deixar o cargo.