O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, deve viajar ao Iraque neste domingo para uma visita histórica de dois dias, a primeira de um presidente iraniano ao país. Ahmadinejad vai se reunir com líderes do governo iraquiano e também deve visitar pelo menos um dos grandes templos xiitas do país.
Segundo o correspondente da BBC em Teerã Jon Leyne, a visita poderá marcar a reconciliação final entre os dois países que travaram uma longa guerra na década de 80.
Atualmente Irã e Iraque, os dois dominados por populações xiitas, são aliados.
Mas, apesar de ter sido convidado pelo presidente Jalal Talabani, a visita de Ahmadinejad é polêmica e possivelmente pode levar a divisões no governo iraquiano.
Muitos árabes sunitas têm objeções quanto à visita de um homem que eles suspeitam que, secretamente, oferece ajuda financeira a grupos armados e milícias xiitas.
E os Estados Unidos, outro aliado do Iraque, também acreditam que o Irã ajudou grupos xiitas no Iraque.
O Irã, por sua vez, afirma que os Estados Unidos são uma força de ocupação do Iraque e acredita que a resistência no Iraque é legítima.
Segurança
Segundo o correspondente da BBC em Bagdá Hugh Sykes, além de um marco político, a visita de Ahmadinejad ao Iraque também será um desafio à segurança.
O Aeroporto Internacional de Bagdá, onde ele deve chegar, fica ao lado de uma base militar americana e os americanos controlam o espaço aéreo.
Líderes que visitam o Iraque geralmente embarcam em um helicóptero que faz o trajeto entre o aeroporto até a Zona Verde, em Bagdá.
Mas o presidente iraniano não deverá usar este recurso, fazendo a viagem de carro até o centro da capital iraquiana, num percurso onde ocorrem emboscadas e ataques.
Ahmadinejad também não deve ir até a Zona Verde, onde está o grande prédio da embaixada americana no Iraque e vários escritórios do governo iraquiano. Os veículos que querem entrar nesta área fortificada precisam passar por postos de segurança e checagem americanos.