A Autoridade Palestina anunciou a suspensão das negociações de paz com Israel, em decorrência dos ataques israelenses na Faixa de Gaza, que deixaram mais de 50 palestinos mortos nas últimas 24 horas. O chefe da equipe de negociações palestina e ex-premiê Ahmed Qorei, telefonou na noite deste sábado à ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, e anunciou que, em vista da situação na Faixa de Gaza, a Autoridade Palestina (AP) resolveu suspender as negociações com Israel, retomadas há três meses, na Conferência de Annapolis, nos Estados Unidos.
Qorei afirmou que Israel "está cometendo um massacre de mulheres e crianças" na Faixa de Gaza.
Livni declarou que a decisão da AP "não vai influenciar, de maneira alguma, as decisões e operações de Israel para proteger seus cidadãos".
Mortos e feridos
Dois soldados israelenses foram mortos por atiradores palestinos nos arredores da cidade de Gaza. Segundo o jornal israelense Haaretz, o número de palestinos mortos já chega a 59.
Segundo as autoridades médicas em Gaza, pelo menos 150 pessoas ficaram gravemente feridas nos tiroteios entre as tropas israelenses e militantes palestinos.
Os confrontos se concentram na região do campo de refugiados de Jebalia e nos bairros de Zeitun e Sajaya, no norte da Faixa de Gaza.
Desde a madrugada deste sábado, militantes palestinos, principalmente do Hamas, lançaram cerca de 50 foguetes contra o sul de Israel, atingindo as cidades de Sderot, Ashkelon e outros vilarejos na região.
Pelo menos 20 civis israelenses ficaram levemente feridos e mais dezenas foram hospitalizados em estado de choque.
O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, afirmou que Israel "vai continuar a operação militar na Faixa de Gaza, com o objetivo de empurrar os lançadores de foguetes para o centro da região", ou seja, afastá-los da fronteira com Israel.
Barak tambem instruiu as tropas e a Força Aérea a atacarem fábricas de armamentos e bunkers na Faixa de Gaza.
Centenas de habitantes da cidade de Ashkelon se manifestaram neste sábado exigindo a renúncia do primeiro ministro israelense Ehud Olmert e uma ação "enérgica" do governo para paralisar os ataques com foguetes contra o território israelense.