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Bailarino brasileiro brilha em produção do Royal Ballet

07/12 - 20:43 - BBC Brasil

O bailarino brasileiro Thiago Soares tem recebido elogios da crítica especializada britânica dançando um dos papéis principais em uma nova montagem do balé Jewels, apresentada pela prestigiosa companhia britânica Royal Ballet.

  • Para assistir ao vídeo, é necessário ter o programa Real Player. Baixe aqui

Esta é a primeira vez que o Royal Ballet dança a famosa criação do coreógrafo russo George Balanchine, que teve sua première em Nova York, em 1967, e é considerada um grande desafio para qualquer companhia.

Jewels (jóias) é dividido em três atos, inspirados em três pedras preciosas: a esmeralda, o rubi e o diamante.

No terceiro ato, inspirado no diamante, Balanchine homenageia a grande tradição do balé russo. E é neste momento que Thiago Soares, bailarino principal do Royal Ballet, entra em cena acompanhado da parceira, Marianella Nunez.

Na opinião do crítico do jornal britânico Observer, o dueto de Soares com Nunez é o ponto alto do espetáculo
"Eu queria muito fazer o papel, e esperava fazê-lo, já que tenho o tipo físico e as características ideais para ele", disse o bailarino à BBC Brasil.

Circo, capoeira e hip hop

O brasileiro começou a dançar balé clássico aos 16 anos de idade. Antes disso, aprendeu técnicas de circo, praticava capoeira e dançava hip hop.

Depois de vencer competições internacionais em Paris e Moscou, Soares foi bailarino principal no Balé de Moscou, antes de ser admitido no Royal Ballet, em 2002.

"Não podemos esquecer que o Nureyev, o maior bailarino do mundo, começou a dançar aos 16 anos de idade", diz o brasileiro. "Quando eu comecei, estava mais maduro e sabia o que queria."

"Meu corpo já estava trabalhado pela capoeira e, por causa disso, me machucava menos", acrescenta. "Claro que tive de trabalhar duro na técnica, mas a diferença na formação é uma coisa muito relativa."

Hoje, aos 26 anos, já protagonizou clássicos como O Lago dos Cisnes, Quebra Nozes e A Bela Adormecida, entre outros.
Segundo o mestre de balé do Royal Ballet, Christopher Saunders, a personalidade latina de Soares é uma grande aquisição para o Royal Ballet.

"É eletrizante", disse Saunders. "A dança latino-americana é empolgante e rítmica, e Thiago traz um pouco dessa empolgação."

Fator latino


Soares admite que o temperamento latino é um fator importante no seu jeito de dançar.


"Nosso jeito de nos mover, de pensar um personagem, é diferente", afirma. "Eu uso muito isso no meu trabalho, e funciona."

"No Brasil, copiamos demais o que os estrangeiros fazem e esquecemos de copiar a nós mesmos", avalia. "Temos uma riqueza cultural imensa e temos de aprender a tirar proveito disso."

O bailarino diz, no entanto, que aprendeu muito com o Royal Ballet. "Eles têm refinamento e elegância."

"No Brasil, fazemos tudo o que eles fazem, mas damos demais o tempo todo. Os ingleses sabem quando reservar aquela energia e quando dar tudo", conta Soares. "Aqui, aprendi por que fazer um movimento e quando."

"Além disso, o Royal Ballet é a única companhia no mundo que consegue juntar teatro e dança", diz o brasileiro. "Você não está só dançando, como também interpretando um personagem. Isso sempre me atraiu na dança."

Parceria
Os jornais britânicos têm dado atenção especial à parceria entre Thiago Soares e a bailarina Marianella Nunez.


Juntos, os dois já protagonizaram vários espetáculos do Royal Ballet. E fazem par romântico também na vida real: vão se casar em 2008.

Para o bailarino, poder trabalhar com a pessoa que ama é um privilégio. "Muita coisa ali não é interpretação", afirma.


Ainda em dezembro, Thiago Soares se apresenta no Brasil. Ele vai dançar o Quebra-Nozes com o Balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

"Tenho muito interesse em fazer um trabalho no Brasil, levar um pouco do que aprendi e ajudar a criar a nossa história."

 







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