Bancada petista terá pouca força na Assembleia de MS

Enquanto número de parlamentares do partido na Casa estagnou em sete, PMDB aumentou de 14 para 17

Alessandra Messias, iG Campo Grande |

Estagnada em apenas sete deputados estaduais – os mesmos do início do governo Puccinelli – a bancada petista terá pouca força para barrar os projetos de interesse da segunda gestão do governador recém-reeleito.

Essa limitação de poder político marca o momento dos parlamentares petistas sul-mato-grossenses, tanto no plano estadual (Assembleia Legislativa), quanto federal (Câmara dos Deputados). Ao mesmo tempo, a bancada de apoio a Puccinelli na AL passou de 14 para 17, dos 24 deputados que a compõem.

Para a Assembleia, o PT elegeu sete deputados estaduais. São eles, Pedro Kemp, Paulo Duarte, Laerte Tetila, Cabo Almi, Felipe Orro (PDT), Diogo Tita (PPS) e Alcides Bernal (PP). Esse número é o mesmo do início do primeiro governo Puccinelli.

Para a Câmara dos Deputados, os petistas Vander Loubet e Antônio Carlos Biffi foram reeleitos por mais quatro anos.

De acordo com o doutor em sociologia, Luciano Medeiros, a pouca representatividade do PT na Assembléia está associada à força que o governador André Puccinelli tem no Estado.

“Zeca perdeu as forças, não é diferente e é muito rejeitado pela população. André tomou seu lugar e os seus aliados. Até os deputados estaduais que foram eleitos no pleito passado mudaram de lado para não apoiar diretamente as ações do petista”, esclarece.

Segundo ele, o quadro se reflete na oposição eleita para a Câmara de Deputados, no entanto, no Senado com Delcídio Amaral, “isso não acontece porque o senador reeleito destoa de Zeca” e prova disso, são as freqüentes críticas do ex-governador ao Senador.

Do outro lado, o governador André Puccinelli terá a maior tranquilidade para governar no aspecto de base parlamentar de apoio na Assembléia Legislativa e no Congresso Nacional.

A coligação dele elegeu para uma das vagas do Senado, o deputado federal Waldemir Moka. E, para a Câmara seis dos oito deputados federais que integram a bancada de Mato Grosso do Sul.

Na Assembléia Legislativa a coligação Amor, Trabalho e Fé fez 17 dos 24 deputados estaduais.

A forte base legislativa na Assembléia garante a André a segurança de continuar aprovando seus projetos e mantendo um aliado na presidência da Casa.

Mas para isso, André monta quebra cabeça com os deputados eleitos e os suplentes que já estão na Assembléia.

O líder do governo na Assembleia, Youssif Domingos (PMDB) foi derrotado nas urnas, mas não deve ficar fora do Legislativo em 2011.

Segundo membros da bancada de apoio a André Puccinelli (PMDB), o governador reeleito já começa a articular formas de acomodar um dos principais aliados, já que Youssif é segundo suplente da coligação.

Ele só volta ao cargo se for aberta duas vagas no Legislativo. Uma delas é do deputado reeleito Carlos Marun (PMDB) que retorna ao governo estadual como secretário de Habitação no dia 15 e permanece no cargo na próxima legislatura.

Em 2011, quem assume é o deputado estadual Rinaldo Modesto (PSDB), que também foi derrotado nas urnas, mas é o 1º suplente de Marun.

“Tenho absoluta certeza de que Youssif vai continuar na Assembleia”, revela Marun.

André também pode resgatar o secretário adjunto de Meio Ambiente, Márcio Monteiro (PSDB), que foi eleito junto com outros nove deputados estaduais que oxigenam a Casa de Leis a partir do ano que vem.

Márcio Monteiro também podia integrar a Secretaria de Produção e Turimos que deve ser dividida em duas partes.

Youssif não tem nenhum plano traçado. Para ele, a derrota foi algo “natural”, porque “político tem de estar preparado para ganhar e perder”.

Atualmente o comando é exercido por Jerson Domingos (PMDB), que conseguiu se reeleger deputado estadual e pode também ser reeleito na eleição da Mesa Diretora da Casa de Leis.

Secretários

Deputado estadual reeleito, Carlos Marun volta ao comando da secretaria estadual de Habitação e Cidades para concluir projetos.

“Tem 20 mil casas em construção e obras que não foram iniciadas devido ao período eleitoral”, afirma.

No dia 18, Marun participará da reunião do Conselho Nacional das Cidades.

“A gente tem que ficar onde é mais útil. E é um prestígio para a Assembleia Legislativa que o governador escolha um parlamentar para o primeiro escalão”, aponta.

Já o deputado federal mais bem votado de Mato Grosso do Sul, Edson Giroto (PR), também deve reassumir nos próximos dias a secretaria de Obras do Estado.

O govenador André Puccinelli falou sobre a possibilidade de "mexer as pedras do tabuleiro" para acomodar aliados. “O Marun tem que ficar alguns meses ou aninhos na Assembléia e o Giroto na bancada federal. Para desespero dos suplentes.”

André conseguiu eleger seis deputados federais.

São eles, o ex-secretário de Obras, Edson Giroto (PR), o deputado estadual Reinaldo Azambuja (PSDB), o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso do Sul, Fábio Trad, o ex-secretário de Saúde de Campo Grande, Luiz Henrique Mandetta.

Também se reelegeram os deputados federais douradenses Geraldo Rezende e Marçal Filho, ambos com base eleitoral em Dourados.

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