Baixa adesão prejudica tratamentos contra hipertensão

Médicos apostam no uso de remédios em horários distintos, mas esbarram na falta de adesão dos pacientes

Bruno Folli, enviado a Belo Horizonte |

Pelos menos 20% dos idosos hipertensos - que possuem pressão sanguínea com valor igual ou superior a 140/90 mmHg ou 14 por 9 - enfrentam um desafio ainda maior no combate a pressão alta. Isso porque a doença eventualmente adquire resistência aos medicamentos mais utilizados, forçando médicos a adotarem outras estratégias de tratamento. 

O problema traz implicações gravíssimas, uma vez que a hipertensão é um dos principais fatores de risco para enfartes e derrames cerebrais. Estudo da Universidade Federal de Minas Gerais, mostra que 33% das mortes com causas identificadas no país estão relacionadas a problemas cardiovasculares como a pressão alta.

A chamada hipertensão resistente até pode atingir pessoas jovens, embora seja muito mais comum em idosos. Segundo dados recentes do Ministério da Saúde, a doença afeta 35% da população brasileira com mais de 40 anos. “A idade é um fator de risco importante”, afirma a nefrologista Nereida Kilza da Costa Lima, do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Obesidade e uso de medicações que aumentem a pressão, como anti-inflamatórios, são outros fatores. Para receber o diagnóstico, o paciente precisa fazer uso de pelo menos três medicamentos para pressão alta sem sucesso com os resultados.

“O primeiro passo é avaliar se o paciente está realmente tomando as medicações”, ressalta Nereida. Como a pressão alta costuma não apresentar sintomas cotidianos, a pessoa muitas vezes acaba deixando de seguir as recomendações médicas. “Falhas na adesão vivem acontecendo”, observa a médica.

Medicamentos reavaliados

Depois de avaliar a adesão, o próximo passo é reavaliar os medicamentos em uso. “Em muitos casos, isso já resolve”, comenta a especialista. Mas em outras situações, a hipertensão persiste, obrigando o médico a prescrever quatro medicações. Em geral, os remédios devem ser tomados pela amanhã, a fim de facilitar vida do paciente. “Mas pode ser preciso dar uma ou duas medicações a parte, no início da noite”, afirma a nefrologista.

Horários diferentes

Isso dá uma garantia a mais de que a pressão ficará sob controle mesmo à noite, reduzindo o risco de enfartes e derrames. “O problema é que ministrar as doses em horários diferentes podem resultar em perdas de adesão, o que acaba fazendo a pressão se tornar alta novamente”, afirma a médica. É um risco, mas que poderia ser facilmente superado se o paciente se comprometesse com o tratamento.

Outra estratégia adotada na prática clínica é a separação das doses.
Alguns médicos preferem dividir a dose indicada para o paciente, dando metade de manhã e outra metade à tarde ou à noite. Isso, supostamente, daria mais estabilidade à pressão arterial.

“Mas os medicamentos tem efeito por 24 horas. Não há evidência científica de que esse método seja mesmo eficiente”, adverte Nereida.

* O repórter Bruno Folli viajou a Belo Horizonte à convite convite da organização do Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia

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