Sob Sarney e Lobão, Maranhão vive "boom" de usinas elétricas

Antes, Estado não produzia energia. Com aliados do governo federal, agora vai produzir mais do que consome

Wilson Lima, iG Maranhão |

Sob a influência do presidente do Senado, José Sarney (PMDB), e do ministro das Minas e Energia, Edson Lobão (PMDB), também do Estado, o Maranhão recebeu nos últimos anos vários empreendimentos ligados à geração de energia. Sarney foi um dos aliados mais próximos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lobão assumiu o ministério entre 2008 e 2010 e reassumiu neste ano, sob a presidenta Dilma Rousseff.

Um dos projetos já fornece energia para o Operador Nacional do Sistema (ONS). Dois estão em obras em fase de conclusão e um ainda não foi iniciado. Somados, esses quatro empreendimentos terão capacidade para gerar 3.641 MW de energia nos próximos três anos. O consumo mensal de energia no Maranhão é de 978 GWh.

Antes da implementação destes projetos, o Maranhão era um Estado que não gerava energia. Existiam algumas promessas de construção de termelétricas ou hidrelétricas, mas elas nunca saíram do papel. Tanto que, nesta sexta, o Estado foi salvo do apagão pela usina de Tucuruí, no Pará .

Essa proliferação de empreendimentos de geração de energia começou em 2007, com o início das obras da Usina Hidrelétrica de Estreito (UHE), na cidade de Estreito, divisa do Maranhão com o Tocantins. Essa usina terá capacidade de gerar até 1.087 MW de energia.

Ao todo, 90% da estrutura da hidrelétrica já foi erguida e o enchimento do lago, fase final para o início do acionamento das turbinas, será concluído nas próximas semanas. A previsão do Consórcio Estreito Energia (Ceste), responsável pela obra, é que até o final de março seja iniciada a geração de energia em Estreito. O Ceste é composto pela GDF Suez/ Tractebel Energia (40,07%), Vale (30%), Alcoa (25,49%) e Camargo Corrêa (4,44%). Os investimentos em Estreito chegam a R$ 4 bilhões.

Depois, em 2008, foram iniciadas as obras da termelétrica Geramar Geradora de Energia do Maranhão S/A. A usina fica instalada na cidade de Miranda do Norte, distante 120 quilômetros de São Luís e recebeu investimentos da ordem de R$ 580 milhões.

Com capacidade de gerar 331,74 MW de energia, a termelétrica Geramar entrou em operação em fevereiro do ano passado. Essa termelétrica vende hoje energia para várias companhias, entre as quais a Aessul, Ampla, Ceal, Ceb, Ceee, Celesc, Celg, Celpa, Celpe, Cemig, Cepisa, Coelce, Elektro, Eletropaulo, Enersul, Escelsa, Light, Piratininga e RGE.

Em São Luís, o grupo EBX, do empresário Eike Batista, começou a implementar em 2008 uma usina termelétrica a carvão no distrito industrial da capital maranhense. A usina MPX Itaqui terá capacidade de gerar até 360 MW de energia, provavelmente a partir do primeiro semestre do ano que vem. Pelo menos 80% da obra já foi concluída e no mês passado foi implantado o sistema de transmissão da usina, responsável pela conexão da energia elétrica gerada na usina ao Sistema Integrado Nacional (SIN). Os investimentos do grupo EBX no empreendimento chegam a R$ 1,8 bilhão, financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

A quarta planta de geração de energia já confirmada para o Maranhão também é do grupo EBX e será instalada na cidade de Santo Antônio dos Lopes, na região central do Maranhão, a 230 quilômetros de São Luís. Essa usina termelétrica, movida a gás, terá capacidade de gerar 1.863 MW, com capacidade de ser duplicada no futuro. O grupo de Eike Batista projetou essa termelétrica para ser abastecida com o gás que foi descoberto nessa região do Maranhão. As obras, entretanto, ainda não foram iniciadas.

Atualmente, o ministro de Minas e Energia busca viabilizar aa construção de uma outra usina hidrelétrica, na região de Serra Quebrada, na cidade de Imperatriz, a segunda maior do Estado e distante cerca de 650 quilômetros de São Luís. A projeção inicial de Lobão era que essa hidrelétrica fosse iniciada após as obras da UHE e, assim, aproveitando as características do Rio Tocantins, que corta a cidade.

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