Quase 3 milhões de casas ficaram sem energia em apagão em PE

Interrupção atingiu 95% do fornecimento energético de Pernambuco, em 175 dos 185 municípios do Estado

Renata Baptista, iG Pernambuco |

A cidade completamente no escuro. Pelas janelas dos prédio, pequenas luzes provenientes de lanternas e olhares curiosos. O som que se ouvia eram apenas as sirenes de radiopatrulhas, da Polícia Militar, fazendo ronda. Este é o retrato da cidade de Recife durante as cerca de três horas em que foi atingida pelo apagão, na madrugada desta sexta-feira. Os efeitos do apagão acabaram, inclusive, por interferir no hábito de boa parcela de leitores recifenses, que pela manhã ainda não tinham recebido seus jornais em decorrência do atraso da impressão dos matutinos.

AE
Passageiros aguardam no escuro no terminal de ônibus do Cais de Santa Rita, no Recife
De acordo com informações da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), o apagão atingiu 175 dos 185 municípios do Estado, em um total de 2,9 milhões de unidades consumidoras. O município de Pedra de Fogo, na Paraíba, que é da área de concessão da Celpe, também foi atingido.

Os demais municípios (Afrânio, Dormentes, Petrolina, Lagoa Grande, Petrolândia, Jatobá, Tacaratu, Inajá e Manari), além do município de Pedra de Fogo, que está na área de concessão da Celpe tiveram o fornecimento parcialmente afetado.

A interrupção, que começou a ser verificada às 23h29 (horário local) atingiu 95% do fornecimento energético do Estado. O restabelecimento da energia foi gradativamente iniciado à 1h40 desta sexta-feira e totalmente concluído às 4h50.

 De acordo com a Polícia Militar, houve registros de vandalismo e tentativas de assalto durante a madrugada . O caso mais grave aconteceu em Olinda, na região metropolitana. Na avenida Presidente Kennedy, uma das mais movimentadas da cidade, um grupo realizou um bloqueio queimando pneus, o que foi logo contido pelos policiais.

No presídio Professor Aníbal Bruno, o maior do Estado, um detento morreu e outro ficou ferido em um motim durante a madrugada. A confusão aconteceu no pavilhão D da unidade. Robert Taylor Rodrigues de Morais atingiu Tiago Henrique Morais da Silva com uma faca artesanal, que morreu na hora. Outro detento, Alexandre Gomes da Silva, foi ferido com tijoladas e está internado no Hospital da Restauração, fora de perigo.

De acordo com a Polícia Militar, a inquietação no presídio ocorreu sobretudo ao desconforto provocado pelo calor na unidade, que tem capacidade para 1.400 vagas e abriga atualmente mais de 4.000 homens.

Boatos

Relatos de funcionários do Hospital da Restauração, o maior hospital de emergência do Estado,  divulgados pela imprensa local davam conta que o apagão teria provocado a morte de pacientes que dependiam do funcionamento de aparelhos ligados à energia elétrica.

Segundo a administração da unidade, assim que a energia caiu os quatro geradores do prédio passaram a alimentar os aparelhos utilizados pelos pacientes. O único incoveniente, de acordo com o órgão, foi a escuridão.

Internet

A movimentação no Twitter durante a madrugada desta sexta-feira foi intensa entre os moradores da região Nordeste atingidos pelo apagão. Muitos dos usuários relatavam a dificuldade de pessoas para dormir. Sobretudo os que estavam com crianças.

Joffre Melo, que mora em Pau Amarelo, no município de Paulista (região metropolitana), disse na rede social que passou a noite abanando o filho, um bebê com apenas um mês de vida, que sofria com o calor. Melo relatou ainda que o apagão fez com que um aparelho de microondas de sua casa queimasse.

As causas do blecaute também foram alvo de discussão na rede. Houve até quem afirmasse que o problema duraria sete dias.

Porto de Galinhas

No famoso balneário de Porto de Galinhas, no município de Ipojuca (PE), os turistas que estão no local para passar o verão passaram por maus bocados devido ao calor na madrugada desta sexta-feira.

O clima, agradável para as horas passadas à beira mar, mas implacável para quem tenta dormir sem ventilador ou ar condicionado, deixou as varandas das casas e pousadas apinhadas de gente atrás de uma brisa.

Segundo a comerciante Nair Falcão, as conversas nas ruas da Vila de Porto giravam em torno das causas do apagão e dos boatos que viam na internet. "Os piores momentos foram logo quando as luzes se apagaram, pois ficamos sem sinal de celular por uns dez minutos. Depois, consegui algumas informações pela internet em meu celular", disse Nair.

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