Enchi meu quarto com velas

Repórter do iG conta como foi passar a noite sem luz e com um calor insuportável enquanto escrevia sobre os efeitos do apagão

Renata Baptista, iG Pernambuco |

Até mesmo a reportagem do iG no Recife não passou sem prejuízos ao apagão que atingiu o Nordeste na madrugada desta sexta-feira.

Estava na casa de amigos no bairro de Setúbal, no Recife, quando as luzes foram apagadas, às 23h30 (horário local). Desci os seis andares do prédio pela escada usando a iluminação de meu telefone celular, já que lá não tinha gerador.

No carro, a caminho de casa, pude começar a sentir a extensão do problema. Os bairros da zona sul do Recife estavam completamente às escuras. Nas esquinas, patrulhas da Polícia Militar tentavam minimizar os efeitos da falta de semáforos ao trânsito.

Já em casa, por volta da 1h, tive a confirmação da dimensão do apagão com o telefonema do iG de São Paulo. A partir daí, o problema foi começar a trabalhar.

A bateria do computador, que não estava carregada, logo caiu. Com ele, a agenda com meus contatos. A saída foi apelar à boa e velha agenda de papel. Para "acessá-la", no entanto, tive que apertar os olhos, porque a pequena lanterna à pilha de minha mãe já teve dias mais iluminados. Enchi, então, meu quarto com velas.

Outro problema foi acionar os contatos. O telefone convencional não funcionava, pois é ligado à energia elétrica. E os telefones celulares (recolhi todos da casa) ficavam constantemente sem sinal, possibilitando apenas ligações a números de emergência.

Internet pelo telefone, nem pensar. Busquei então informações pelos telefones de emergência. Primeiro, para o 190, central de emergência da Polícia Militar. Por duas vezes o telefone deu ocupado. Depois, ouvi uma gravação avisando que todas as atendentes estavam ocupadas, mas que seria atendida. O que aconteceu, mas apenas cinco minutos mais tarde.

Não consegui contato com os telefones de emergência da Defesa Civil ou da prontidão da Celpe (Companhia Elétrica de Pernambuco), que estavam ocupados, mesmo após inúmeras tentativas.

Após o contato com a Polícia Militar, fui informada que alguns bairros da região norte da cidade já estavam com energia novamente a partir das 2h. Às 2h39, as luzes de minha casa acenderam novamente e pude voltar a escrever no computador e deixar o bloco com meus rabiscos ao lado das velas, sem, claro, deixar de ouvir uma tímida comemoração de meus pais e irmão, que ficaram acordados devido ao calor e poderiam dormir confortavelmente com o retorno do ar condicionado.

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