Apagão: oposição culpa loteamento de cargos no setor elétrico

Governistas afirmam que nomeações são feitas por indicação técnica. "Não há técnico que não seja político", diz Vaccarezza

Adriano Ceolin, iG Brasília |

A oposição creditou à má gestão do governo e o loteamento político em postos do setor elétrico a ocorrência do apagão em sete Estados do Nordeste na madrugada desta sexta-feira. Os governistas saíram em defesa das ações da administração federal.

O líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), criticou a disputa de cargos em empresas estatais de energia. "Nos últimos oito anos, o governo não foi capaz de blindar esse setor. O resultado é este: o Brasil acaba sendo vítima dos políticos em cargos estratégicos", afirmou.

Deputado recém conduzido à função de líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) afirmou que "a oposição poderá se desqualificar". "Imaginem se eles estivessem no governo. Não existe técnico que não seja político. Não pode misturar o apagão com a luta por espaço", afirmou.

Nesta quinta-feira, o PMDB do Rio de Janeiro perdeu o posto que detinha na presidência das Centrais Elétricas de Furnas. Então titular do cargo indicado pelo deputado Eduardo Cunha, Carlos Nadalutti, foi substituído por Flávio Decat, que é ligado ao grupo político do presidente do Senado, José Sarney.

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), defendeu o governo e rebateu às críticas da oposição. “O DEM e o PSDB estão mal informados. O ex-presidente de Furnas é um técnico. Até agora só apresentamos nomes de técnicos experientes para o setor”, afirmou.

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), lembrou a recente disputa por cargos no setor elétrica para ressaltar a falta de técnicos trabalhando na área. “De uns tempos para cá, houve desqualificação técnica. Priorizaram os fisiologismos, o troca a troca partidário”, afirmou o tucano.

Sobre o apagão desta madrugada, Alves afirmou que “é preciso aguardar as explicações do governo”. “Temos que esperar, saber as causas. Deve ter sido um acidente.”, afirmou o líder do PMDB.

Para José Agripino (DEM-RN), o apagão "aconteceu por conta de uma gestão equivocada do governo com o setor elétrico. “O governo favoreceu o capital estatal em detrimento do capital do setor privado, ficou desinteressado em investir em termelétricas por exemplo”, completou.

Para Agripino deverão ocorrer novos problemas no futuro. “Com o crescimento da economia, a demanda por energia aumentou. Os nossos fusíveis não estão agüentando e já começaram a estourar”, afirmou o senador. “E o governo continuar com as velhas desculpas... Defeito técnico etc.”.

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