Técnicos de empresas e ONS apuram causas do apagão

Técnicos das transmissoras, das distribuidoras e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estão reunidos em Brasília hoje para reconstituir a sequência de eventos que provocaram o blecaute ocorrido na noite de ontem e na madrugada de hoje em boa parte do País. O procedimento é necessário para determinar o local de origem das falhas e as causas do problema, informou o vice-presidente de operações da Rede Energia, Sidney Simonaggio, empresa controladora das distribuidoras do Mato Grosso do Sul (Enersul) e Mato Grosso (Cemat), ambas afetadas pelo apagão.

Agência Estado |

O executivo disse que, alguns minutos antes da queda de luz, houve uma oscilação na rede de energia. Segundo Simonaggio, essa oscilação significava o desligamento de todos os disjuntores dos sistemas de geração, transmissão e distribuição do Sudeste. "Essa oscilação durou, aproximadamente, dois segundos. É esse o tempo que está sendo reconstituído para saber qual linha caiu primeiro, qual caiu em segundo, etc."

Em 1983, Simonaggio participou de trabalho semelhante, que durou três dias. "Naquela época, não existiam os recursos tecnológicos de hoje. É provável que, desta vez, isso leve um ou dois dias", estimou.

Segundo o executivo, foi esse procedimento que permitiu determinar que o blecaute de 1999 foi provocado por um incidente na subestação da Cesp em Bauru, cidade do interior paulista, que teria ocorrido pela queda de um raio. "No início, se imagina que o problema tinha ocorrido por uma falha nas linhas de transmissão de Itaipu. Mas após a reconstituição, detectou-se que o primeiro desligamento do sistema foi na subestação da Cesp em Bauru."

Sobre este novo blecaute, o executivo disse que as causas que levaram ao desligamento das cinco linhas de transmissão de Itaipu dependem do resultado desse trabalho de sequenciamento em curso. "Provavelmente, o ONS irá informar que não há apenas uma causa. Não é só um fator que provoca esse problema", afirmou. Com a queda das linhas de Itaipu e, na sequência, o desligamento de todas as turbinas da hidrelétrica, houve um desbalanceamento entre a carga (demanda) e a geração do sistema. Isso provocou o apagão para o Sudeste e Centro-Oeste.

Isolamento

Além da dúvida sobre os motivos da queda das cinco linhas de Itaipu simultaneamente, o que é tido no setor como um evento pouquíssimo provável de ocorrer, o executivo comentou também que outra dúvida é o motivo dos sistemas de isolamento não funcionarem também no Sudeste para evitar que o blecaute atingisse toda a região. "O sistema de isolamento foi bem, no geral, porque o Sul, o Norte e o Nordeste não tiveram problema. Mas, no Sudeste, o sistema não foi capaz de impedir que o problema fosse apenas parcial", avaliou.

Simonaggio disse que a falha no sistema de transmissão não significa que a malha do País seja frágil ou mal planejada. "O sistema brasileiro é planejado para suportar a primeira contingência. Ou seja, quando uma linha é perdida, a outra continua funcionando normalmente. O problema é que, nesta ocorrência, a perda do sistema foi grande."

Ele afirmou também que o "apagão" não é resultado de uma falta de investimentos no setor. "Aqui no Mato Grosso do Sul, por exemplo, três novas linhas de transmissão vão entrar em operação em outubro de 2010. Esse é um reforço importante no sistema", explicou o executivo.

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