Setor elétrico não pode depender da natureza, diz Serra

Após o governo federal ter atribuído o apagão que atingiu 18 Estados a fatores climáticos, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse hoje que o País não pode depender da natureza para evitar incidentes como o de anteontem. O abastecimento de energia de um País não pode depender de que a natureza evite raios e ventania, afirmou em entrevista no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista, após receber o presidente de Israel, Shimon Peres.

Agência Estado |

Serra voltou a criticar a suposta falta de investimento e manutenção da rede elétrica brasileira. "Um raio ou uma ventania derrubarem a energia elétrica em 18 Estados por tanto tempo significa, sem dúvida nenhuma, fragilidade do sistema e a necessidade de investimentos e de melhorarias na qualidade da manutenção."

No último grande apagão do País, em 1999, o colega de partido de Serra, então presidente Fernando Henrique Cardoso, justificou o blecaute da mesma forma que Luiz Inácio Lula da Silva. Culpou um raio pelo incidente que deixou dez Estados sem energia por mais de cinco horas. Questionado sobre a comparação, Serra pensou por alguns segundos e respondeu com reticência: "Mas já passaram mais de dez anos... ."

Possível candidato do PSDB a presidente em 2010, Serra negou um eventual caráter eleitoral em sua crítica. "Não estou preocupado com isso, mas com o problema em si." O tucano se esquivou de comentar a atitude da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, - pré-candidata petista à Presidência. Dilma foi ministra de Minas e Energia de Lula por dois anos. Ontem, desmarcou compromissos e evitou a imprensa. "Esse é um problema do governo. Não compete a mim dizer quem deve dar explicação."

O apagão de terça-feira paralisou estações elevatórias da Sabesp e deixou 7 milhões de paulistas sem água ontem. Segundo o governador, o abastecimento estará normalizado até amanhã. "A paralisação do bombeamento criou problemas que não se resolvem instantaneamente", justificou.

Marcha de prefeitos

Serra apontou motivações "político-eleitorais" na Marcha Paulista, que reuniu ontem prefeitos do Estado. Liderados pelo prefeito de Várzea Paulista, Eduardo Pereira (PT), eles pedem a descentralização de investimentos e o fortalecimento dos municípios. "Se a motivação não for político-eleitoral, eu não sei qual é", disse o governador quando questionado sobre o movimento. "Não teve expressão nenhuma."

Depois de cair quatro pontos na última pesquisa de intenção de voto Vox Populi, divulgada anteontem, Serra comparou o levantamento a uma "gangorra". "Não vou ficar comentando pesquisa. Isso é uma gangorra. Depende do tipo de pesquisa, do que inclui, do que não inclui, coisas esquisitas, não esquisitas", disse sem explicar a que se referia. Na pesquisa, o governador paulista passou de 40% para 36% de intenções de voto. Dilma Rousseff cresceu de 15% para 19%.

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