Oposição usa apagão em 18 Estados para atingir Dilma

Por Fernando Exman e Natuza Nery BRASÍLIA (Reuters) - Por volta das 23h de terça-feira, a oposição já começava a articular uma forma de atingir a pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff à sucessão presidencial. Uma falha no abastecimento de energia a 18 Estados era vista como trunfo para a campanha do ano que vem.

Reuters |

"Era uma questão que o PT sempre jogava na culpa do nosso governo", disse o deputado Rodrigo de Castro (PSDB-MG), secretário-geral do partido.

Acusados de serem responsáveis por um dos maiores apagões da história do país --em 2001--, líderes do PSDB e Democratas subiam à tribuna do Congresso nesta manhã para criticar o governo e a ex-titular de Minas e Energia, responsável pela formulação do novo sistema elétrico nacional no primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Naquele ano, foi necessário empreender um impopular racionamento de energia, que afetou a produção econômica do país e foi utilizado politicamente durante as eleições de 2002.

"Agora, isso desnuda o quadro do apagão de infra-estrutura que existe neste país, que não é um problema apenas deste governo, mas que é um dever do próximo governo reparar", acrescentou Castro.

Horas depois, PSDB e DEM apresentavam requerimentos para convocar a ministra-chefe da Casa Civil e os demais ministros da área ao longo dos últimos sete anos e pediam ao Executivo um histórico oficial dos investimentos público e privado no setor no período.

Apesar da diferença da abrangência deste para o apagão de 2001, a oposição transformou o acontecido em oportunidade para questionar a capacidade gerencial de Dilma. Exibia ao longo do dia declarações da ministra dadas no passado de que o Brasil estava livre de apagões e questionava seu silêncio neste momento.

"Esse apagão é produto de não investimento... Estamos vendo uma bomba de efeito retardado decorrente da falta de investimento", afirmou o líder do DEM, senador José Agripino

(RN).

DEFESA DO GOVERNO

Lula foi informado do blecaute logo após seu início. Estava reunido com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, quando recebeu a notícia. Ao auxiliar, pediu "agilidade" para resolver o problema e detectar as possíveis causas, disse uma fonte do Palácio do Planalto.

Cientes de que os oposicionistas usariam o fato como artilharia, governistas tentaram neutralizar os efeitos das críticas e da tentativa de responsabilizar Dilma pelo incidente. A intenção da base é diferenciar este apagão do de 2001, causado, segundo eles, por falta de planejamento no setor.

"Reagimos rápido. Em menos de três horas, a situação havia sido normalizada. O Brasil produz mais energia que consome... Se fosse um problema um estrutural, aconteceria em horário de pico, não em horário de baixo consumo", disse à Reuters o líder do PT na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (SP).

As comissões de Minas e Energia do Congresso sediarão nos próximos dias o embate entre governo e oposição por responsabilidades sobre as fragilidades do setor. Mas os governistas procuravam mostrar otimismo.

"Não temos um argumento forte para fazer política. O que aconteceu, até onde eu sei, foi um problema técnico...Isso não mancha a imagem de ninguém," afirmou o deputado Bernardo Ariston (PMDB-RJ), presidente da comissão na Câmara.

(Edição de Alexandre Caverni)

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