Meteorologistas divulgaram alerta 4 horas antes do apagão

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou um alerta para Itaipu às 18h de terça-feira. O aviso era de que haveria chuvas intensas em Foz do Iguaçu, no Paraná, onde está localizada a hidrelétrica. Poucas horas depois, o vento na região alcançou 55km/h e houve um apagão que atingiu dez Estados.

Erika Klingl, iG Brasília |

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  • De acordo com uma escala de Beaufort, que quantifica a intensidade dos ventos, essa velocidade se enquadra no parâmetro sete, considerado forte, na escala que vai de 1 a 12. Com uma ventania dessa força, segundo a escala, movem-se árvores grandes e é muito difícil caminhar. Além disso, o mar fica agitado com até 4,5m de espuma.

    Na terça-feira, o presidente de Itaipu, Jorge Samek, antecipou, em entrevista ao iG, ter 99% de certeza de que um vendaval tenha sido a causa do apagão.

    Para Morgana Almeida, meteorologista do Inmet, ainda é necessário esperar as investigações para relacionar o apagão com a chuva. Nós emitimos o alerta porque vimos uma grande área de instabilidade na região. E isso deve se repetir nos próximos dias. Mas não dá para afirmar que uma coisa teve relação com a outra sem as conclusões dos operadores do sistema, observa.

    Mais tempestades

    A previsão do tempo para os Estados do Sul é de chuvas e trovoadas até o fim da semana, em especial entre esta quarta e quinta-feira. É previsto também fortes rajadas de vento.

    Morgana explica que as grandes tempestades com ventos intensos são fruto do El Niño, que exerce forte influência sobre o país este ano. O fenômeno meteorológico é resultado do aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial. As massas de ar quentes e úmidas acompanham a água mais quente, provocando chuvas excepcionais e concentradas no Sul e Sudeste do país e escassez de precipitações no Nordeste.

    Além disso, os Estados do Sul sofrem influência mais severas das áreas de instabilidade porque todas as frentes frias que chegam ao Brasil passam pelo Sul, completa Morgana.

    Para a geógrafa Ercília Torres, da Universidade de Brasília (UnB), as tempestades podem ocorrer até o fim do verão. Ela explica que vários sistemas meteorológicos estão atuando ao mesmo tempo como uma característica de configuração atmosférica instável desse ano. Fenômenos como o La Niña, o El Niño e o aquecimento do Atlântico Norte são fatores cíclicos que podem ocorrer em um ano e não se repetir no seguinte, conclui.

    No entanto, como este ano há um cenário de instabilidade na configuração da atmosfera é provável que tais tempestades se repitam até o fim do verão. Temos que monitorar mais de perto mas, provavelmente, teremos um verão mais chuvoso que o normal.

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