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Inpe contradiz governo e diz que chances de raio ter causado apagão são mínimas

BRASÍLIA ¿ O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) afirmou, nesta quinta-feira, que ¿são mínimas¿ as chances de um raio ter causado o blecaute que deixou http://ultimosegundo.ig.com.br/apagao/2009/11/11/ministerio+de+minas+e+energia+diz+que+apagao+atingiu+18+estados+brasileiros+9066023.html target=_top18 Estados sem luz na terça-feira.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

    O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou, durante entrevista coletiva na tarde de quarta-feira, que  ventos, chuva e raios provocaram um curto-circuito em três linhas de transmissão, que recebem energia produzida pela usina hidrelétrica de Itaipu e a transmite às regiões Sul e Sudeste.

    Já a análise do Inpe, feita com base no sistema de detecção de descargas atmosféricas, indica que, embora houvesse uma tempestade na região próxima a Itaberá, no sul do Estado de São Paulo, as descargas mais próximas do sistema elétrico estavam a aproximadamente 30 km da subestação.

    Os raios também estavam distantes das linhas de Furnas: cerca de 10 km de uma de 750 kV e a 2 km de outra de 600 kV, que saem de Itaipu em direção a São Paulo.

    Para os especialistas do Inpe, a baixa intensidade da descarga registrada, que era menor que 20 kA, não seria capaz de produzir um estrago dessas proporções, mesmo que o raio incidisse diretamente sobre a linha.

    O ministro Lobão disse que o que aconteceu foi um acidente. Já, para Inpe, se o acidente aconteceu, muito provavelmente não teve nenhuma ligação com raios. Em geral, apenas descargas com intensidade superiores a 100 kA, atingindo diretamente uma linha, poderiam causar um desligamento de linhas de transmissão operando com tensões tão elevadas como as linhas de Itaipu (duas de 600 kV e duas de 750 kV), diz o Instituto.

    AE
    Só luzes dos carros são vistas durante apagão na capital paulista

    Curto-circuito

    De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), José Cláudio Cardoso, ouvido pela reportagem do iG, é possível afirmar que o apagão foi causado por um curto-circuito nas três linhas de transmissão ao mesmo tempo. Esta informação está clara pra gente por meio de oscilogramas instalados no sistema, afirma.

    Quando isso ocorre, segundo ele, as proteções do sistema desligam as linhas para evitar danos aos equipamentos. O que ainda não está claro para o especialista é o que causou esse curto-circuito. Precisamos de análises, ainda não é possível falar em verdade absoluta, diz.

    O problema, de acordo com ele, foi a sucessão de fatores. Hoje, no Brasil, temos mais de 100 mil km de linhas de transmissão e cerca de 20 ocorrências diárias de linhas que desligam por condições climáticas, mas que não causam prejuízos porque o sistema está preparado para assimilar esses casos aleatórios, explica. Ali houve queda porque foram os três na mesma usina, acrescenta.

    Cardoso defende que uma ocorrência deste porte é imprevisível e que o sistema tinha uma confiabilidade alta. Ali tinhamos três caminhos de transmissão. Poderíamos triplicar o atendimento por outros caminhos, mas isso tornaria tão cara a energia, que lugar nenhum do mundo faz isso, considera.

    Veja o infográfico


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