O impacto do apagão no bolso do consumidor é incerto, mas suas conseqüências são amplas. A análise é do economista Gilberto Braga, professor do Ibmec do Rio de Janeiro, que afirma ser cedo para dizer se o contribuinte voltará a pagar a conta do blecaute.

Em 2001, o custo do que veio a se tornar uma crise energética (veja reportagem ) chegou a R$ 45,2 bilhões, segundo cálculos do Tribunal de Contas da União (TCU). Desse valor, cerca de 60% foram pagos pelos usuários, por meio de repasse tarifário, e o restante, pelo Tesouro Nacional.

Segundo Braga, a cobrança na conta de luz da população foi usada para aprimorar as linhas de transmissão de energia _as mesmas que o Ministério de Minas e Energia atribui a responsabilidade pelo blecaute.

Em 2001 havia excesso de energia no Sul, a partir Itaipu, mas não havia linhas de transmissão para levá-la para o Norte e o Nordeste, onde há deficit hídrico, diz. Essa contribuição emergencial serviu para o reaparelhar o setor elétrico. O país conta com mais modernas linhas de interligação do mundo, por isso causa certa estranheza que um sistema novo, que acabou de receber investimentos, falhe. Se o sistema é falho, pode voltar a acontecer."

Braga lembra, no entanto, que, no curto prazo, o impacto na vida da população é sentido principalmente nas ruas. Do ponto de vista econômico, o apagão afeta diretamente a vida de milhares de pessoas. É o caso do transporte público, no qual trens e metrôs são afetados devido a intervalos mais longos. Ou mesmo na demora no restabelecimento da captação de água, pois as máquinas ficaram paralisadas pela falta de energia.

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