Governo põe Itaipu sob suspeita

Apesar de o diretor-geral de Itaipu, Jorge Samek, ter dito ainda na terça-feira que a usina havia contribuído com zero de problema para o apagão, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vão investigar a geração da hidrelétrica na noite da pane no sistema de transmissão. Os órgãos de regulação e de planejamento da geração e distribuição querem saber se a produção a plena carga das 18 turbinas de Itaipu (11. 850 megawatts) sobrecarregou e fragilizou as linhas de transmissão, deixando-as mais vulneráveis a incidentes meteorológicos.

Agência Estado |

A Aneel terá de saber também se o planejamento da produção de Itaipu foi devidamente autorizado pelo ONS e se, eventualmente, houve erro do próprio Operador Nacional ao permitir uma produção acima do suportável pela rede de transmissão. "Itaipu pode ter trabalhado em zona de risco", disse ontem ao Estado uma fonte do governo.

Essa pressão sobre a rede pode até forçar um curto-circuito, levando a um desligamento em cascata do sistema de transmissão. "Raios, ventos e chuvas fortes", causas apontadas pelo ministro Edison Lobão (Minas e Energia) para o apagão de terça, podem apenas ter precipitado uma pane que já era iminente.

O sistema de controle de velocidade dos geradores monitora a frequência da rede. Quando sobe a velocidade de rotação das turbinas, em um momento de baixo consumo, o sistema começa a tirar geração. Quando uma grande linha de transmissão cai e provoca uma redução abrupta da carga, o gerador da usina hidrelétrica tende a acelerar. Para evitar pane em cadeia no sistema, o gerador tem de ser desligado.

O sistema hidrelétrico é uma cascata de usinas, e Itaipu é a última da série do Paraná. Como não há outras usinas abaixo dela, a lógica da operação é "maximizar a geração a jusante" - nas usinas acima de Itaipu -, onde é possível armazenar energia, isto é, onde é possível estocar água para geração futura.

Em razão do controle rigoroso do tamanho do Lago de Itaipu, por causa dos tratados firmados com a Argentina e o Paraguai, ela é uma "usina fio dágua", e não de armazenamento. A tendência, para desperdiçar o mínimo de água possível, é que a hidrelétrica gere o máximo de energia com o "fio dágua" corrente. Pelos acordos internacionais, o reservatório de Itaipu tem um estoque limitado de água para evitar que, na eventualidade de abertura total das comportas, isso provoque inundações de proporções catastróficas no território argentino.

O ONS tem de entregar à Aneel o Relatório de Análise de Perturbação com a síntese do que ocorreu no apagão. A previsão, segundo a agência, é que seja apresentado em reunião na semana que vem.

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