Estados enfrentam noite de caos e medo sem energia elétrica

Medo, apreensão, acidentes e assaltos. Tudo isso fez parte da noite dos brasileiros em 10 Estados do País e no Distrito Federal, que ficaram sem luz a partir das 22h15 de terça-feira. A cidade de São Paulo ficou mergulhada no caos: metrô e trens deixaram de funcionar, pontos de ônibus ficaram lotados e o trânsito parou.

Redação |

    A Polícia Militar da capital tinha apenas um gerador funcionando para atender aos chamados do 190, o telefone de emergência. A rede da Polícia Civil ficou totalmente fora do ar e ninguém conseguiu registrar boletim de ocorrência. Apenas os rádios funcionavam, à base de gerador.

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    Vista da região central de São Paulo durante um apagão desta terça

    Segundo a polícia, foram registrados tumultos na Estação Brás da CPTM e no cruzamento da Avenida Paulista com a Rua da Consolação.

    Por volta da 1h, uma mulher morreu em uma tentativa de assalto na região do Jabaquara, na zona sul paulista. Maria Amélia Leite Roque Taiana, de 50 anos, estava dentro de seu carro quando foi abordada por um suspeito em uma moto. Ela foi baleada no pescoço e foi socorrida ao Pronto-Socorro (PS) do Hospital Arthur Ribeiro de Saboya, mas não resistiu aos ferimentos.

    Segundo a Polícia Militar, o criminoso fugiu sem roubar nada e ainda não se sabe porque ele atirou. A ocorrência foi registrada no 35º Distrito Policial (DP), de Jabaquara. Apesar do caos e medo generalizado na cidade, a PM diz que a violência em São Paulo ficou abaixo da média .

    Nas ruas da cidade Jundiaí, Grande São Paulo, apesar de nenhuma ocorrência grave ter sido registrada, o medo da violência era a maior preocupação dos moradores. "No mês passado, policiais de Jundiaí e de São Paulo invadiram a favela do Jardim São Camilo. Vai que os bandidos resolvem aproveitar o escuro e responder à represália", disse o comerciante André Luiz Vieira dos Santos, referindo-se a uma megaoperação que a polícia realizou há poucos meses.

    Além do temor da violência, muitos tiveram que enfrentar o medo de ficar dentro de elevadores. O Corpo de Bombeiros recebeu 28 chamados de pessoas presas em elevadores na cidade de São Paulo.

    Assim como as estações de trem e metrô, o Terminal Rodoviário da Barra Funda ficou lotado de pessoas na noite de ontem. O blecaute coincidiu com a saída de diversos alunos de diversas universidades próximas, que tiveram que aguardar por horas até que a circulaçaão voltasse.

    Rio de Janeiro

    Na cidade do Rio de Janeiro, muitas pessoas decidiram permanecer nas estações de trem com medo de assaltos do lado de fora. O governador Sérgio Cabral, que estava em Brasília, telefonou para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e ordenou que o Batalhão de Operações Especiais da Polícia, o Bope, assumisse o patrulhamento das vias expressas e que todo o efetivo da Polícia Militar ficasse de prontidão. Apesar disso, as ruas do Rio de Janeiro estavam desertas e apenas alguns carros e ônibus circulavam.

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    Orla do Rio de Janeiro às escuras

    Um assalto com reféns que havia começado um pouco antes do apagão terminou perto da meia-noite com dois criminosos baleados. A Polícia Militar informou também sobre o registro de arrastão em pontos da zona norte, como a região no entorno do Maracanã e no bairro do Caju, mas sem entrar em detalhes. No aeroporto do Galeão, os passageiros que desembarcavam por volta das 23h (horário de Brasília) eram alertados por alguns motoristas de táxi a não deixarem o local por risco de assalto.

    Foram registrados pela Defesa Civil mais de cem casos de pessoas presas em elevadores. Com os computadores sem funcionar, as delegacias também deixaram de fazer registros de ocorrência e muitas ficaram no escuro, por falta de gerador. O telefone 190 ficou fora do ar e as ocorrências só eram passadas pelo telefone da sala de operações ou pelo rádio.

    A Linha Vermelha ficou sem iluminação até o início da manhã de hoje. Na Ponte Rio-Niterói, só houve iluminação na praça do pedágio, e os painéis de informação pararam de funcionar, segundo a concessionária da via. Mas, segundo a Coordenadoria de Vias Especiais, não havia registro de acidentes nas principais vias da cidade.

    A administradora dos trens urbanos do Estado, a Supervia, informou que a circulação dos trens só voltou ao normal depois das seis das 6h desta quarta-feira, e os intervalos aumentaram, o que causou superlotação nas estações e nas composições.

    Telefonia

    O apagão refletiu também nas redes de telefonia celular e muitas pessoas tiveram dificuldade para fazer chamadas de seus celulares ou para passar mensagens de texto. Em alguns locais, os celulares ficaram completamente sem sinal.

    As empresas, porém, disseram que os problemas não foram generalizados. A operadora TIM informou que sua área técnica identificou congestionamento na rede porque muitas pessoas tentaram ligar ao mesmo tempo para saber informações exatamente sobre o apagão. Além disso, algumas antenas tiveram problemas no gerador.

    As outras grandes operadoras de telefonia celular do País - Vivo, Claro e Oi - ainda não tinham informações da área técnica sobre a origem do problema.

    O coordenador da defesa civil de Campinas, na Grande São Paulo, Sidnei Furtado, disse que também chegaram reclamações sobre o sistema de telefonia na cidade. "Mas foram mais ligações de pessoas assustadas do que registrando ocorrências", afirmou.

    Com medo, pessoas se apressam para voltar para casa:

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