Conheça o sistema de geração e transmissão de energia no Brasil

O Sistema Interligado Nacional (SIN) conecta as usinas hidrelétricas e termelétricas do Brasil em uma grande rede de transmissão

Klinger Portella, iG São Paulo | 11/11/2009 14:55

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O Sistema Interligado Nacional (SIN) conecta as usinas hidrelétricas e termelétricas do Brasil em uma grande rede de transmissão. Com isso, é possível que a energia produzida no Sul do País seja conduzida e utilizada no Nordeste. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o sistema interligado brasileiro é dividido em dois subsistemas: o Sul/Sudeste/Centro-Oeste e o Norte/Nordeste. 

Hoje, as usinas hidrelétricas respondem por mais de 70% da produção de energia no País. Com a interligação do sistema é possível que, em épocas de seca, a energia produzida seja aproveitada em diferentes regiões do País, reduzindo a produção por termelétricas, que são mais poluentes.

Por outro lado, em caso de falhas no sistema interligado, o impacto em rede também é maior, como visto no blecaute de ontem.

Foto: AE

Usina hidrelétrica de Itaipu

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o SIN é formado por empresas das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte do Norte. Apenas 3,4% da capacidade de produção de eletricidade no País está fora do SIN.

Os três agentes de maior capacidade instalada no País são a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), com 10,6 milhões de kW de potência instalada; Furnas, com 9,4 milhões de kW; e Eletronorte, com 9,2 milhões de kW.

Levantamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontou que o potencial hidrelétrico do País é de 251.490 megawatts.

O consumo anual de energia no mercado cativo chegou a 95,5 mil megawatts por hora, no mês de abril, em 63,8 milhões de unidades consumidoras, totalizando uma receita de fornecimento de R$ 23,6 bilhões.

Transmissão 

Toda energia produzida pelas hidrelétricas e termelétricas do País é conduzida por um vasto sistema de transmissão. Segundo César de Barros Pinto, diretor-executivo da Associação das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), o sistema de transmissão conta com mais de 800 linhas de transmissão, que totalizam 80 mil quilômetros, ligando todo o País, e mais de 400 subestações.

"O papel desse sistema é interligar a geração de energia até a carga e interligar as diferentes regiões do País, de forma a permitir a exploração racional dos recursos disponíveis em todas as regiões", disse.

O sistema de transmissão de energia é explorado, atualmente, por oito grandes empresas: Furnas, Chesf, Eletronorte, Eletrosul, CEEE, Copel, CTEEP e Cemig. No entanto, outras cerca de 100 empresas também atuam na transmissão de energia, segundo a Abrate. Essas companhias são proprietárias do ativo energia e o disponibiliza para o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que distribui a energia por região, de acordo com a demanda.

A energia não pode ser armazenada. Ela é produzida de acordo com a necessidade e distribuída imediatamente. As empresas disponibilizam a energia e a ONS administra esse sistema de distribuição.

Segundo Barros Pinto, o sistema é desenvolvido para, em caso de falha em alguma linha de transmissão, outra linha ser acionada automaticamente, não acarretando problemas aos usuários. "Temos um sistema adequado. É um sistema sem paralelo no mundo, que hoje está bem dimensionado para sua finalidade básica, que é transferir energia. Nosso sistema apresenta níveis de confiabilidade coerentes com os melhores sistemas do mundo", garantiu.

"O sistema é construído dentro do critério N-1. Significa que a perda isolada de qualquer elemento do sistema não pode ocasionar em interrupção no fornecimento para algum consumidor. Isso permite a operação de duas linhas em paralelo. Se uma cair, a outra dobra a capacidade e atende à demanda", explicou.

Segundo o diretor da Abrate, cerca de 200 desligamentos de linhas acontecem diariamente, sem danos para os usuários. "É muito parecido com um acidente de avião. Trabalhamos para ter a máxima confiabilidade com o mínimo de custo", comparou Barros Pinto.

Ele aponta que o sistema já está normalizado, após as falhas de ontem, mas alerta: "novos blecautes podem acontecer. É um sistema feito por pessoas. Pode acontecer outra vez (apagão). Pode ser daqui a um ano, daqui a 10 anos. De vez em quando, temos problemas. E o apagão não é privilégio nosso, os Estados Unidos, por exemplo, também têm. Nós temos o sistema adequado. É obvio que nós aprendemos com a falha e certamente vamos procurar tirar o máximo proveito desse blackout para corrigir eventuais falhas", concluiu.

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