Condição meteorológica causou blecaute, conclui ONS

"A causa foi realmente uma descarga elétrica que não poderia ter sido controlada", disse o ministro de Minas e Energia

Gustavo Gantois, iG Brasília |

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) manteve em seu relatório final sobre o blecaute do dia 10 de novembro que condições meteorológicas desfavoráveis causaram o desligamento das linhas que transportam a energia de Itaipu para o Sudeste, conforme o iG adiantou na terça-feira.

Em um calhamaço de 237 páginas ao qual o iG teve acesso ontem, o Ministério de Minas e Energia confirma que o blecaute foi resultado da associação de descargas elétricas e de intensas chuvas que atingiram a linha de transmissão da usina hidrelétrica de Itaipu, entre as cidades de Ivaiporã (PR) e Itaberá (SP), combinadas com a falta dos chapéus chineses.

"O comitê técnico chegou à conclusão de que o que realmente aconteceu foi aquilo que dissemos menos de 24 horas depois do ocorrido", disse ao iG o ministro Edison Lobão, de Minas e Energia. "É claro que existem tecnicidades que não pudemos adiantar naquele momento, mas a causa foi realmente uma descarga elétrica que não poderia ter sido controlada."

O documento, no entanto, contradiz a versão inicial do ministro Lobão. Um dia após o apagão, a tese oficial era a de que os raios haviam caído direta e simultaneamente sobre as três linhas de transmissão. Na verdade, segundo análise do Operador Nacional do Sistema (ONS) com base nos dados repassados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o raio causou uma sobrecarga em apenas uma das linhas.

Como o nível de energia que vinha da usina de Itaipu estava no máximo, a segunda linha não suportou. Neste ponto, entra também a possibilidade de um excesso de água ter tomado conta dos isoladores, que poderiam contar com a proteção dos chapéus chineses. Com a queda das duas primeiras linhas, houve uma outra sobrecarga na terceira. Foi, enfim, um efeito cascata provocado por raios e, principalmente, por chuva. Mas também pelo excesso de energia transmitido pelas linhas de Itaipu.

Os dois maiores capítulos do relatório são dedicados à questão climática e aos isoladores, que funcionam para não permitir que os cabos de alta tensão eletrifiquem toda a torre, além de evitar curtos-circuitos como os que ocorreram. Atualmente, a norma brasileira determina que esses equipamentos devem atuar dentro de um padrão de chuvas de até um milímetro por minuto.

Pelos dados apresentados no documento, o índice registrado naquele dia foi quase o dobro disso. Para piorar a situação, alguns isoladores de Itaipu já estão em operação há mais de 20 anos e apresentam trincas. O governo, no entanto, descarta no relatório que eles tenham sido responsáveis pelo apagão.

Solução contra blecaute

As três principais soluções para o problema envolvendo os isoladores são citadas no documento. A primeira seria usar uma graxa de silicone mais moderna que envolva os equipamentos. Essa saída, no entanto, requer uma manutenção recorrente. A segunda solução seria envolver os isoladores com um produto chamado RTV, um tipo de borracha vulcanizada de longa duração.

Mas, até o momento, a melhor opção encontrada para evitar que as chuvas intensas diminuam a suportabilidade dos isoladores é o chapéu chinês. Ele atua como um guarda-chuva sobre o isolador, impedindo que a água escorra por ele formando uma película condutora de eletricidade. O chapéu chinês é de fácil implementação e tem um custo baixo - não são divulgados números no relatório, mas estima-se que poderiam girar em torno dos R$ 200 milhões para atender todas as linhas de transmissão.

Na parte destinada à questão climática, o Inpe afirma que não detectou raios de grande intensidade para justificar, isoladamente, o apagão. No entanto, esses raios, associados às fortes chuvas que foram registradas na região, principalmente em Itaberá, foram responsáveis em parte pelos curtos-circuitos.

"Lamentavelmente, não podemos cravar uma definição técnica sobre onde caíram os raios, mas houve um registro forte no local", afirma Gilberto Câmara, diretor do Inpe.

*Com Agência Estado

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