Barra Funda vive madrugada de caos com apagão

SÃO PAULO - Os passageiros do Terminal Rodoviário Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, reviveram na noite de ontem e madrugada de hoje cenas do apagão aéreo que começou em 2006. O blackout que deixou boa parte do País às escuras coincidiu com a saída de alunos de diversas universidades e faculdades localizadas naquele bairro, levando o caos ao terminal.

Agência Estado |

Passageiros de trem e metrô ocuparam todo o terminal à procura de informações sobre o que acontecia naquele momento. Com a aglomeração, o sistema de som do metrô começou a passar as primeiras notícias àqueles que foram pegos de surpresa, na hora de voltar para casa. A situação do terminal lembrava a dos aeroportos em 2006, com pessoas sentadas no chão.

A informação inicial era de que havia uma falha no fornecimento de energia elétrica e que, por isso, os trens pararam de circular. Depois, veio a segunda informação pelo sistema de som do metrô: a falta de energia era em toda a capital paulista. Desolados, muitos passageiros resolveram sentar-se no chão e esperar. A eles, somavam-se cada vez mais pessoas que chegavam pessoas por todas as entradas do terminal. O espaço entre as bilheterias e as catracas do metrô e do trem ficou superlotado.

Com a informação de que o apagão seria em todo o Estado, muitos passageiros resolveram relaxar.  As lanchonetes do terminal ficaram lotadas. Estudantes abriram os livros. Grupos de amigos se formaram para tomar lanche, no chão mesmo, como um piquenique. E muitos aproveitaram para dormir. Famílias com crianças se acomodaram onde puderam. Idosos sentavam-se sobre as bagagens. As bilheterias do metrô e do trem foram fechadas.

Alguns arriscaram pegar ônibus. Muitos coletivos nem paravam nos pontos próximos ao terminal, de tão lotados que vinham. Passageiros de metrô que moravam na zona sul da capital tentaram ir de ônibus, mas desistiram. E quem tentou pegar um taxi, também não teve êxito. As duas empresas de táxi que prestam serviços no Terminal Barra Funda pararam de aceitar cartão de crédito, pois o sistema não tinha conexão com as operadoras. Para muitos, o jeito foi esperar a luz ser restabelecida.

O Terminal Barra Funda só ficou com as luzes internas acesas graças a um gerador de energia. Um funcionário do metrô informou que o gerador funcionava a diesel e as luzes internas das plataformas tiveram de ser apagadas porque o combustível estava no fim.

Tumulto

Por volta da 0h30, as luzes internas do metrô se acenderam. Houve correria em direção às catracas. Os seguranças da estação tentavam conter a multidão, informando que era apenas a energia do gerador e que os trens continuavam parados. Mas foi em vão. As pessoas, cansadas, depois de duas horas e meia de espera, ficaram aglomeradas em frente às catracas, aguardando a liberação.

Somente por volta da 1 hora, o metrô anunciava que a linha vermelha (Leste-Oeste), entre Barra Funda e Corinthians-Itaquera, retomaria as operações. Mas, para a decepção dos que moravam na zona sul, os trens não parariam na Sé, pois a linha azul estava "desernegizada", segundo os funcionários.

Aos poucos, os moradores da zona leste começaram a embarcar. Os da zona sul tiveram de esperar mais. Os táxis começaram a voltar vazios aos pontos no entorno do terminal. Alguns passageiros desistiram de esperar o metrô e negociavam com os motoristas a melhor forma de pagamento.

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