Apagão: oposição quer levar Dilma à Câmara

O apagão alimentou os discursos da oposição no Congresso e levou seus líderes a convocar os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, e de Minas e Energia, Edison Lobão, a depor em três comissões, duas da Câmara e uma do Senado. A oposição tratou sempre a ministra Dilma como candidata oficial do presidente Lula à sucessão em 2010 e lembrou uma entrevista que ela concedeu ao programa Bom Dia Ministro, no dia 29.

Agência Estado |

As comissões de Fiscalização e Controle e de Minas e Energia, da Câmara, farão audiência pública conjunta para ouvir as explicações de Lobão. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (PSDB-AM), fez o convite para Lobão e Dilma explicarem o apagão na Comissão de Infraestrutura da Casa.

"Quero que venha dar explicações a ministra que disse que apagão nunca mais aconteceria. No governo passado, o que houve foi um racionamento. Desta vez, foi apagão", disse o senador tucano. Em 1999, ainda no governo Fernando Henrique, o Brasil sofreu um outro grande blecaute, que atingiu dez Estados e o DF.

O líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), ironizou comentários que Dilma teria feito recentemente. Segundo Aníbal, "dias atrás" ela teria dito: "Apagão no País? Nem morta". O tucano criticou as justificativas apresentadas pelo governo. "Não foram questões climáticas, tem alguma coisa a mais." Na Comissão de Fiscalização da Câmara, o requerimento de convite a Lobão é do deputado do PSDB Vanderley Macris (SP), que informou que o ministro comunicou à comissão que comparecerá - mas as datas não foram definidas.

Na Comissão de Minas e Energia, o convite ao ministro é de autoria do líder do PPS, deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP). Para ele, a falha no fornecimento de energia revela uma "fragilidade" do sistema elétrico. Segundo Macris, Lobão telefonou à presidência da Comissão de Fiscalização quando soube da aprovação do requerimento e se colocou à disposição dos deputados.

Jardim afirmou que o governo precisa aumentar os investimentos no setor para evitar escassez. O deputado lembrou que o governo tem acionado um número cada vez maior de termelétricas e afirmou que o uso da energia dessas fontes, mais cara e mais poluente, é resultado de falta de planejamento.

Ensinamento

A senadora e pré-candidata do PV à presidência, Marina Silva, afirmou, após conversas com especialistas para avaliar as causas do blecaute, que o caso serve como "ensinamento" para a questão de investimentos na área. Para ela, o setor elétrico merece maior planejamento e cuidado técnico. "Precisamos considerar que isso causa um prejuízo social, moral, econômico e político", alertou.

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