Apagão foi causado por má gestão e não por problemas técnicos, diz Sauer

O apagão que atingiu 18 estados na noite de terça-feira aconteceu por problemas de gestão e não operacionais, na opinião de Ildo Sauer, coordenador do programa de pós-graduação em energia da USP e ex-diretor de gás e energia da Petrobras. ¿As linhas de transmissão foram adequadamente recompostas com relação ao déficit que sofriam, no fim dos anos 1990¿, diz Sauer. ¿A falta de investimento não foi o causador do apagão, mas sim a gestão, seja do ponto de vista de manutenção ou da falta de coordenação de todas as pontas do sistema.¿

Cristiane Barbieri, iG São Paulo |

Para Sauer, a existência de quase uma dezena de entidades públicas ligadas ao sistema energético brasileiro dilui as responsabilidades e acaba em muita conversa e pouca capacidade de comando. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, que tem, como diz o nome, de monitorar o setor, não viu o buraco negro, afirma Sauer. O Conselho Nacional de Política Energética também. Sauer cita ainda a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o próprio Ministério das Minas e Energia, ao falar da dispersão da gestão.

A opinião, no entanto, não é unânime. Ronaldo Bicalho, professor e pesquisador do grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da UFRJ, afirma que o sistema energético brasileiro funciona de forma bastante satisfatória. Para ele, não há no mundo um modelo que seja isento de falhas. (Veja reportagem sobre apagões globais )

De acordo com Bicalho, o importante nesses casos é identificar o problema e tomar medidas para evitar que ele se repita.

Porém, para Sauer, outro fato que confirma o comando tênue é que, mais de 18 horas após o apagão ainda não havia uma resposta satisfatória sobre a origem do problema. Mesmo que haja uma explicação, ela não é justificativa para o que aconteceu, nem para a dimensão que tomou, afirma. O sistema de transmissão deveria ter um mecanismo que reduzisse a amplitude da consequência do apagão. Ele também é projetado e construído para resistir à maioria das intempéries.

Segundo Sauer, quando há um ambiente com controles deficientes, pode-se esperar que novos apagões aconteçam, mas é impossível ter certeza se haverá problemas semelhantes no futuro. Só podemos torcer para que não aconteça novamente porque não foi feito o que era necessário, diz Sauer.  Se tivesse havido uma falha só, o problema não teria se propagado.

A possibilidade de haver um novo blecaute é apontada como difícil, porém inerente ao sistema, segundo Bicalho. É um sistema complexo, que vai ficar cada vez maior e cuja imprevisibilidade é altíssima, diz ele. O desafio não é só brasileiro e houve avanço nos últimos anos.

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