Apagão evidencia fragilidade do sistema, diz consultor

Por Denise Luna RIO (Reuters) - O apagão que atingiu diversos Estados brasileiros na noite de terça-feira mostra que o país precisa de investimentos no setor elétrico para não ficar refém de acidentes como o que parece ter provocado a falta de abastecimento de energia, avaliou o consultor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura.

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Ainda sem uma causa oficial conhecida, Pires disse que várias hipóteses podem ter provocado o acidente, mas afastou problemas meteorológicos ou queda de linhas de transmissão de Furnas, já que tanto a empresa como a meteorologia já descartaram essas possibilidades.

Pires disse que o país precisa modernizar a gestão das linhas de transmissão, principalmente as de longa distância como as de Itaipu, para que no momento de um acidente o problema seja equacionado antes de afetar tantas cidades.

"As linhas de transmissão muito longas no Brasil são muito mal administradas. Em 1999 houve um evento igual ao de ontem (terça-feira), na época falaram de raio, vamos ver o que vão falar agora", disse Pires à Reuters.

Ele lembrou que --com a retomada da economia e o aumento de temperatura, "com reportagens mostrando que já está faltando ar condicionado para vender"-- a sobrecarga pode ter causado algum problema técnico, mas que com uma gestão mais eficiente o apagão poderia ter sido restrito a uma região.

"Isso mostra que o Brasil está muito vulnerável, você não pode deixar um país com a dimensão do Brasil refém de acidentes", complementou.

Pires ressaltou que em breve o país vai receber mais uma linha de transmissão de longa distância no rio Madeira, das usinas de Santo Antonio e Jirau.

"Daqui a pouco vamos ter a linha do Madeira, também de longa distância. É preciso modernizar para quando tiver eventos desse tipo se consiga isolar o acidente e não afetar o Brasil inteiro", avaliou.

O Operador Nacional do Sistema (ONS) disse que não há motivo para ter ocorrido uma sobrecarga no Sistema Interligado Nacional, já que no horário de início do apagão --pouco depois das 22h-- as indústrias estavam desligadas.

O órgão ainda não tem uma posição oficial sobre a falta de energia que atingiu 10 Estados brasileiros, principalmente no Sudeste e Centro-Oeste.

Segundo o secretário-executivo do Ministério de Minas de Energia, Márcio Zimmermann, três linhas de Furnas saíram do sistema, mas ainda não foi revelada a causa. A empresa, no entanto, informou nesta quarta-feira que nenhuma linha foi danificada e que está operando normalmente. O apagão durou cerca de 5 horas.

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