Apagão: a menos de 1 ano da eleição, governo tenta blindar Dilma

Para isolar o governo e, especialmente, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, dos efeitos políticos do apagão, o Planalto montou ainda na noite de terça-feira uma operação para confinar o problema na esfera técnica do Ministério de Minas e Energia. Dilma, que já ocupou a pasta das Minas e Energia, é apresentada como a fiadora da revolução no sistema elétrico brasileiro, implantado no primeiro governo Lula, em oposição aos apagões da gestão de Fernando Henrique.

Agência Estado |

Coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que engloba obras de transmissão e geração de energia, Dilma, pré-candidata do PT à Presidência, é "vendida" com gerente eficiente, capaz de planejamentos de longo prazo.

Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro no último dia 29, Dilma declarou: "Nós também temos uma outra certeza, que não vai ter apagão. É que nós hoje voltamos a fazer planejamento. Então, nós olhamos, qual é a necessidade que o Brasil tem de energia nos próximos cinco anos? Nós, ao olharmos isso, providenciamos as usinas que são necessárias para o Brasil."
Ontem, ao deixar o Centro Cultural do Banco do Brasil, a ministra não falou sobre o apagão: "Tchau para vocês e até amanhã", disse aos jornalistas.

A estratégia traçada pelo Planalto para blindar Dilma foi escalar o ministro Edison Lobão como porta-voz da crise e protagonista das entrevistas. Não à toa, coube a Lobão a primeira reação oficial, a convocação da reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, para esclarecer a crise.

Para o governo, era importante evitar que o episódio criasse as condições para se iniciar um debate político que tenha como foco críticas ao "planejamento" do crescimento do País, disse um assessor do Planalto. Sem sucesso.

Uma mensagem postada de madrugada pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB) no twitter, microblog na internet, irritou assessores do governo. "Sobre o apagão em grande parte do País: esta foi a primeira vez na história que todas as máquinas de Itaipu pararam", escreveu o tucano.

A tropa de choque governista entrou em ação. Sem a sutileza que o Planalto recomendara, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que a imagem de Dilma "não sairá arranhada desse episódio, que foi provocado por um acidente". "Nosso telhado é muito forte e o deles já não é mais de vidro, porque quebrou em grande parte", afirmou.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que não há mais problema de apagão e "nunca" esteve tão tranquilo em relação a isso. "São microproblemas perto do que já superamos."

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