Na esteira da Operação Lava Jato, PF comemora retomada de prestígio

Por Wilson Lima - iG Brasília |

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No ano passado, a Polícia Federal realizou outras operações como a Darknet, de combate à pedofilia, e a Cavalo de Fogo, a maior em número de presos nos últimos cinco anos

Renato Duque foi preso pela PF na Operação Lava Jato que investiga corrupção na Petrobras
Reprodução/Youtube
Renato Duque foi preso pela PF na Operação Lava Jato que investiga corrupção na Petrobras

Apesar das disputas internas entre delegados e agentes, a Polícia Federal (PF) terminou 2014 de volta aos holofotes graças principalmente à Operação Lava Jato, que desarticulou um esquema criminoso com atuação, inclusive, na Petrobras. Além disso, foi o ano em que a PF registrou o maior número de prisões desde 2011 e o que culminou na maior operação, em volume de prisões, desde 2010.

Foram 286 operações, que resultaram na prisão de 2.137 pessoas, conforme dados coletados entre janeiro e a segunda semana de dezembro do ano passado. Entre as prisões, estavam 82 funcionários públicos e dois agentes da própria corporação. Um dos agentes da PF foi preso, inclusive, no desenrolar da Operação Lava Jato.

Se por um lado, o volume de operações não foi relativamente alto se comparado com outros anos (o número de investigações desencadeadas pela PF em 2014 é o menor desde 2011), a PF conseguiu prender o maior número de pessoas desde 2011 e também registrou um recorde com a Operação Cavalo de Fogo, desencadeada pela Polícia Federal do Paraná. Só a Cavalo de Fogo resultou na prisão de 156 pessoas. Foi a maior operação em número de prisões desde a Operação Sentinela, em 2010, que registrou 330 prisões na época. Também foi destaque em 2014 a operação Darknet, de combate à pedofilia, que empregou técnicas de investigação na web até então inéditas no País.

Segundo fontes da PF, durante o ano de 2014, a redução no quantitativo de operações é justificado por uma maior concentração em ações de grande vulto. Isso porque, como houve também o remanejamento da PF durante a Copa do Mundo e também durante o processo eleitoral, a PF concentrou ações nas operações mais importantes, agindo “mais no atacado e menos no varejo”, conforme fontes da PF. Na prática, conforme fontes da PF, a corporação foi “mais seletiva” nas ações em 2014 justamente prevendo que ficaria praticamente três meses remanejada para outras ações que não a de investigação de crimes de corrupção e tráfico de drogas.

Somente a Operação Lava Jato, por exemplo, teve sete fases entre março e novembro deste ano, resultando em 54 prisões, entre elas a do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, tido como líder de um grande esquema de lavagem de dinheiro. Na esteira da Lava Jato, pelo menos 70 políticos estão sendo investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Lava Jato é considerada por membros da PF como a operação mais importante dos últimos tempos pela sua amplitude. Ao desarticular um esquema de lavagem de dinheiro, os policiais conseguiram revelar um esquema de corrupção que envolveu empresários, a Petrobras, senadores, deputados federais e até governadores.

Além da Lava Jato, a PF também desencadeou ações como a Operação Cavalo de Fogo, em abril, que desarticulou uma quadrilha de tráfico de drogas que agia no Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e Pernambuco, com ramificações em outros países da América do Sul, como o Uruguai. Em decorrência das investigações da Cavalo de Fogo, a PF conseguiu apreender 37 toneladas de maconha e 1,3 toneladas de cocaína, entre outros itens.

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A Operação Darknet resultou na prisão de 56 pessoas envolvidas em ações ligadas à pedofilia e foi desencadeada pela PF do Rio Grande do Sul. A operação prendeu pessoas de 19 Estados e confirmou a existência de uma rede de compartilhamento de imagens e vídeos pornográficos de crianças e adolescentes com ramificações em Portugal, Itália, Colômbia, México e Venezuela. Entre os presos, estavam empresários e até um seminarista.

Esta operação foi a primeira da PF a investigar o submundo da internet, a chamada deepweb. Na deepweb, não há identificação de IP’s das máquinas e os sites não são identificados por protocolos de busca comuns, como o Google. Por conta disso, a deepweb concentra sites de pornografia infantil, de venda de drogas, armas, entre outros sítios ilícitos. Até a deflagração da operação Darknet, apenas as polícias norte-americana (FBI) e a inglesa (Scotland Yard) tinham realizado investigações pela deepweb.

Operações da PF em 2014
* 286 operações
* 2.137 prisões
* 82 funcionários públicos presos
* 2 agentes da PF presos

Confira as 5 maiores Operações da PF em número de prisões em 2014
Operação              Estado    Prisões    Data
Cavalo de Fogo     PR          156            03/04/2014
Oversea                 SP            69            31/03/2014
Darknet                  RS            56            15/10/2014
Panóptico               RS            56            03/04/2014
Borborema 2          PB            48            16/10/2013

Operação Cavalo de Fogo: objetivou desarticular organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de drogas;

Operação Oversea: desarticulou grupo que operava as inserções ilícitas da droga em cargas que partiam do Brasil pelo porto. Este é um desdobramento da Operação (Fase II), que teve início em 2013;

Operação Darknet: operação que pretendia combater a pedofilia e confirmar a identidade de suspeitos e buscar elementos que comprovem os crimes de armazenamento e divulgação de imagens e abuso sexual de crianças e adolescentes;

Operação Panóptico: operação que visava reprimir o tráfico de drogas.

Operação Borborema 2: operação que visava desarticular uma organização criminosa voltada para o tráfico interestadual de drogas e armas que atuava na Paraíba.

Número de operações da PF nos últimos cinco anos
Ano    Operações    Prisões
2014    286               2.137
2013    316               1.825
2012    348               2.134
2011    259               3.293
2010    270               2.956

Nona fase da Operação da Lava Jato começou nesta quita-feira (5) e apreendeu grandes quantidades de dinheiro, 500 relógios e documentos. Foto: Polícia FederalNona fase da Operação da Lava Jato começou nesta quita-feira (5) e apreendeu grande quantia de dinheiro, 500 relógios e documentos. Foto: Polícia FederalSuspeito de ligação com Alberto Yousseff, Adarico Negromonte é preso pela PF, em novembro.. Foto: Cassiano Rosário/Futura PressO advogado da Queiroz Galvão, José Luiz de Oliveira Neto, em entrevista em novembro. Foto: Cassiano Rosário/Futura PressRoberto Brzezinski Neto, representante do escritório que defende Renato Duque na Operação Lava Jato, em janeiro. Foto: Cassiano Rosário/Futura PressNona fase da Operação da Lava Jato começou nesta quita-feira (5) e apreendeu grande quantidade de dinheiro, 500 relógios e documentos. Foto: Polícia FederalInvestigações da Operação Lava Jato . Foto: Fotos PúblicasGraça Foster e cinco diretores renunciam ao cargo na Petrobras
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