PT tem registrado avanço na periferia da capital, mas admite que é lento e insuficiente para pensar em uma virada no Estado

Brasil Econômico

A campanha da presidenta Dilma Rousseff (PT) tem investido no Rio, em Minas e no Nordeste para compensar a provável derrota da candidata em São Paulo. A avaliação é que os paulistas são hoje o fator que equilibra a disputa, por conta da vantagem que Aécio Neves tem na região. O PT tem registrado avanço na periferia da capital, mas admite que é lento e insuficiente para pensar em uma virada no Estado. A margem para avanço é o eleitor volátil - cerca de 15% do total, principalmente entre os que optaram por Marina no primeiro turno - e os que se abstiveram e votaram branco ou nulo na etapa inicial. Para o prefeito paulistano Fernando Haddad, o PT deve explorar na discussão, agora, a política de emprego e renda e a geração de oportunidades a partir da educação.

No Rio, a divisão do partido acabou reforçando o duplo palanque para Dilma no segundo turno. Tanto o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) quanto o senador Marcelo Crivella (PRB) apoiam a reeleição da presidenta e ambos contam com petistas entre seus apoios. Os próprios integrantes da campanha de Dilma ficaram impressionados, por exemplo, com o tamanho de uma manifestação que organizaram em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Em Minas e no Norte e Nordeste, o PT conta com uma turnê do ex-presidente Lula, nesta semana e na próxima, para reforçar a campanha. Ele participará de atos e comícios com políticos locais da base aliada, além de encontros com movimentos sociais. O governador eleito de Minas, Fernando Pimentel, e o atual da Bahia, Jaques Wagner, em fim de mandato e responsável pela eleição de seu sucessor no primeiro turno, são outros trunfos petistas.

Ironia petista

No debate da Band, anteontem, ao final do bloco em que Dilma atacou Aécio com denúncias sobre nepotismo e o aeroporto de Cláudio (MG) que teria beneficiado a família do presidenciável, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, ironizou o adversário tucano: “A equipe dele está apavorada. Estão fazendo uma assembleia lá agora”.

Para depois da eleição

Ao final de um dos blocos do debate da Band, o ex-deputado e coordenador do programa de meio ambiente de Aécio Neves, Fábio Feldmann, conversou com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e elogiou a implantação de ciclovias na cidade. Prometeu escrever um artigo favorável à iniciativa.

De volta ao ninho

Após o debate, o ex-tucano e coordenador da Rede Walter Feldman combinou com o responsável pela área de finanças da campanha do PSDB, José Gregori, de marcar um encontro entre Aécio Neves e Marina Silva para discutirem um programa sobre direitos humanos.

Tropa de choque do PSDB ataca Dilma

Um convidado do PSDB, que seria assessor do deputado estadual eleito por São Paulo Coronel Telhada, dirigiu ofensas pessoais e de cunho machista à presidenta Dilma Rousseff (PT) no momento em que ela chegava ao debate na Rede Bandeirantes. Atualmente vereador na cidade de São Paulo, Telhada foi comandante da Rota, batalhão conhecido pelos casos de violência na periferia da Grande São Paulo, e não deve compactuar com o uso de palavras de baixo calão contra a petista. Ele é evangélico.

Convidado tucano queria resolver no braço

A presidenta Dilma passou pela torcida adversária e chegou a acenar amistosamente para um grupo que ironicamente lhe dirigia sinais de despedida. Perguntado por um jornalista sobre quem ele era, o convidado tucano que a ofendeu demonstrou disposição para responder com os punhos. O caso só não terminou em agressão por conta da “turma do deixa disso”, que teve de contê-lo.

“Se o Lula não ficar na frente do movimento de renovação profunda, o PT pode se transformar numa espécie de PMDB pós-moderno” - Tarso Genro, governador gaúcho e candidato à reeleição, sobre o partido do qual é fundador

*Com Leonardo Fuhrmann

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