Presidente criticou programa de Marina e desafiou bancos privados a emprestar nos mesmos padrões dos bancos públicos

A presidente Dilma Rousseff (PT) sinalizou nesta quarta-feira (03), em Belo Horizonte, que fará mudanças em sua equipe de governo, caso seja reeleita para um segundo mandato. Além de uma “atualização das políticas e das equipes”, ela pretende criar um Conselho de Desenvolvimento para auxiliar decisões. "Obviamente, novo governo, novas e, necessárias, atualizações de políticas e das equipes”, afirmou Dilma.

"Eu estive na CNI (Confederação Nacional da Indústria) há um tempo e, naquela circunstância, eu declarei que considerava tão importante a política industrial e a política de desenvolvimento em geral que eu faria um Conselho de Desenvolvimento ligado diretamente à Presidência da República, e eu reitero hoje, novamente aqui, esse meu compromisso", afirmou Dilma, que cumpre agenda nesta quarta-feira em Belo Horizonte.

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Dilma Rousseff (PT) participa de carreata em Belo Horizonte nesta quarta-feira (03)
Divulgação/PT
Dilma Rousseff (PT) participa de carreata em Belo Horizonte nesta quarta-feira (03)


A presidente admitiu que a economia, em especial no setor industrial, passa por uma situação difícil, que se refletiu nos dados divulgados na semana passada pelo IBGE, que demonstram retração do PIB por dois trimestres consecutivos. “Eu gostaria que o Brasil estivesse crescendo em um ritmo muito mais acelerado, mas é aquilo que eu estava dizendo antes. Imagine o que aconteceria se nos não tivéssemos tomado essas medidas”, argumentou.

Ataques

Dilma aproveitou para criticar a parte do programa de governo de sua adversária Marina Silva (PSB), que trata do sistema financeiro e da política industrial. A petista disse que se as medidas forem realmente implantadas no País, causarão desemprego.

De acordo com a presidente, a proposta de Marina elimina pontos importantes para a indústria: os critérios de conteúdo nacional e o crédito subsidiado dos bancos públicos. “Se você tomar estas medidas que estão sendo propostas, os empregos corem risco sim”, apontou Dilma.

Dilma disse que, ao contrário de Marina, sua intenção é manter a participação forte dos bancos públicos na concessão de subsídios para investimentos. "Nós damos subsídios. Não nos envergonhamos das políticas de subsídios. É absolutamente temerário, inacreditável, alguém que proponha a redução do papel dos bancos públicos", avaliou. 

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Ela ainda desafiou os bancos privados a fazerem o mesmo, com as mesmas condições. “Obvio, se os bancos privados forem subsidiar, nos mesmos padrões dos bancos públicos, que sejam muito bem vindos”, disse Dilma. “Mas tem que ter prazos mais longos e juros mais baixos”, ressalvou.

Quanto à política de conteúdo nacional, que prevê a margem de preferência de 25% nas licitações para produtos produzidos no país em relação aos produtos importados, a presidente argumentou que a adoção deste critério foi fundamental para recuperar a indústria naval e atrair fábricas de automóveis nos últimos anos.

“Significa produzir aqui, o que pode ser produzido aqui, com preço, prazo e qualidade similares aos internacionais. Com essa política de preço, prazo e qualidade, nós conseguimos recuperar a indústria naval brasileira, que tinha desaparecido na década de 90 e que hoje é a quarta do mundo. Conseguimos também mudar o panorama da indústria automobilística, trazendo para o Brasil mais 12 grandes fábricas”, disse Dilma em entrevista coletiva.

Medo

Dilma se esquivou de comentar as referências feitas em seu programa de governo às figuras dos ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor, hoje aliado do governo. Ela negou que sua campanha esteja investindo na “política do medo” e sim da “política da verdade” ao comparar, sem citar nomes, a candidata do PSB com os dois presidentes. “É a política da verdade. O que nós dissemos não é que as pessoas são iguais”, disse.

Segundo a presidente, o programa procurou demonstrar que sem negociar com o Congresso, não se consegue aprovar nada. Essa ideia se contrapõe às investidas de Marina sobre a chamada “nova política”, que se opõe ao governo de coalizão de Dilma.

“Nós dissemos que se você não tem número suficiente de deputados, você não aprova nenhum projeto. Eu acho que na democracia a gente perde e a gente ganha. Eu perdi algumas vezes e ganhei outras. A necessidade de negociar é inexorável”, disse Dilma.

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