Maternidade afeta os efeitos da cocaína, aponta pesquisa

Estudo feito em ratos mostrou que mães liberaram menos quantidades de dopamina, substância que ajuda a causar o "barato" da droga

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Pesquisa mostrou que ratas com filhotes respondem à cocaína de maneira muito diferente dos ratos que jamais tiveram filhotes. As conclusões do estudo abalam os alicerces do conhecimento sobre tratamentos da dependência química em humanas, ao apontar a necessidade de levar em conta como gênero,hormônios e experiência de vida afetam o uso da droga.

Os cérebros dos ratos mães liberaram menos quantidades de um elemento químico chamado dopamina que ajuda a causar o "barato" da cocaína.

Além disso, encontraram uma interação com o estresse: os ratos-mães expostos a períodos de crescente estresse não estavam dispostos a trabalhar por uma dose de cocaína tanto como os ratos que jamais tinham parido.

Tomadas em conjunto as conclusões sugerem que a experiência de ser mãe altera a resposta geral da fêmea à cocaína, o que acrescenta complexidade à questão de qual é o melhor tratamento para a dependência.

O estudo do Instituto de Neurociência Molecular e da Conduta, que é parte da Escola de Medicina da Universidade de Michigan foi  apresentado nesta segunda-feira (15) na reunião da Sociedade de Neurociência em Nova Orleans.

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Jennifer Cummings trabalhou com Jill Becker, do Departamento de Psicologia. Os pesquisadores identificaram diferenças claras na intensidade da reação à droga dos "centros do prazer" nos ratos-mães comparada com os ratos que não tinham parido.

"Estas diferenças sugerem que o sistema de recompensa e os circuitos cerebrais afetados pela cocaína são modificados pela experiência maternal", disse Cummings.

"O passo seguinte é determinar a forma como fatores tais como as mudanças hormonais na gravidez e a maternidade adiantada, e como a experiência de cuidar de crianças, podem contribuir de maneira diferente a esta resposta", acrescentou.

Embora ratos e humanos sejam muito diferentes,  a pesquisa com os roedores permite que pesquisadores como Cummings e Becker estudem a química cerebral e o comportamento relacionado com a droga em detalhe, e abre o caminho para traduzir essas conclusões para tratamentos em humanos.

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