'Não respondo ao submundo da política', diz Haddad sobre Silas Malafaia

Em evento com PMDB, petista se queixou de apoio do pastor ao PSDB e disse ser contra uso eleitoral da religião

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O candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, condenou nesta quinta o uso político da religião na campanha eleitoral. Durante o evento de formalização do apoio do PMDB ao PT, que teve a bênção da presidente Dilma Rousseff, Haddad destacou a sua formação cristã, mas disse que não pretende usar a religião para atrair o eleitorado. "Não quero ganhar um voto por isso", disse o candidato, afirmando que nunca esteve distante do público religioso.

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Descendente de libaneses, Haddad ressaltou que seu avô foi um líder religioso importante no Líbano e que ainda mantém vínculos com a religião cristã ortodoxa. Para o petista, todas as religiões merecem seu respeito, por isso não pretende sensibilizar o eleitorado com esse argumento.

Perguntado sobre o apoio do pastor Silas Malafaia ao candidato tucano José Serra, Haddad acusou o adversário de trazer do Rio de Janeiro para São Paulo "um líder evangélico para ofendê-lo".

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Declarações foram dadas pelo candidato do PT durante evento em que recebeu apoio do PMDB, derrotado no primeiro turno com a candidatura de Gabriel Chalita

O candidato disse que está disposto a debater com o tucano todos os temas, inclusive o chamado kit gay se for o caso. "Não posso responder para o submundo da política. Tenho de responder a ele ( Serra )", afirmou Haddad, em recado ao pastor evangélico. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, Malafaia teria dito que arrebentaria Haddad em São Paulo. "Esses termos não são apropriados para uma campanha democrática", comentou Haddad.

O deputado federal Gabriel Chalita (PMDB-SP), quarto colocado no primeiro turno da eleição municipal, também criticou a mistura entre religião e política e disse que foi o primeiro na campanha a se posicionar contra essa prática. "Mas eu acredito que o povo está amadurecendo em relação a isso", disse.

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Pouco antes da oficialização do apoio, Chalita, Haddad e a cúpula do PMDB receberam uma ligação da presidente Dilma Rousseff, cumprimentando-os sobre o acordo. Já no evento, que teve a presença do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), além de correligionários do PT e do PMDB, Chalita destacou que mesmo apoiando o petista, continuará mantendo uma boa relação com o governador Geraldo Alckmin, do PSDB.

Na entrevista coletiva, Haddad e Chalita destacaram a todo momento a boa relação entre eles, que começou ainda quando o petista era ministro da Educação e Chalita pertencia ao PSDB e era secretário da Educação do Estado de São Paulo. "Conto muito, sobretudo, com a amizade de Chalita", disse Haddad, ressaltando que Chalita, mesmo sendo de partido adversário, sempre colocou "os interesses públicos acima dos interesses partidários". Chalita retribuiu os elogios, destacando o histórico sem denúncias na carreira política de Haddad. "Não tem nada que macule a sua imagem", afirmou o deputado.

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