Greve em famoso estúdio de 'Cleópatra' e 'Ben-Hur' tenta impedir reestruturação

Um dos estúdios de cinema mais famosos do mundo, o Cinecitta de Roma, está sendo ocupado por funcionários que, acampados em frente ao local, tentam impedir uma reestruturação financeira que pretende tornar a empresa mais competitiva

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Um dos estúdios de cinema mais famosos do mundo, o Cinecitta de Roma, está sendo ocupado por funcionários que, acampados em frente ao local, tentam impedir uma reestruturação financeira que pretende tornar a empresa mais competitiva. O local já recebeu diretores premiados, como os de "Cleópatra" e "Ben-Hur".

Engenheiros de iluminação, cenografistas e outros empregados estão há dois meses acampados dia e noite no terraço do prédio principal e em um terreno perto do local, em greve. Eles protestam contra um plano dos administradores de dividir o Cinecittà em diversas empresas diferentes, para aumentar a rentabilidade total.

O estúdio italiano já foi escolhido por cineastas para rodagem de megaproduções como Cleópatra e Ben-Hur. No entanto, recentemente o local está perdendo terreno para outros estúdios em lugares como o Leste Europeu, que oferecem custos mais baixos.

'Hollywood italiano'

O Cinecittà é uma das instituições mais conhecidas da indústria do cinema mundial. Nos anos 50 e 60, astros como Gregory Peck, Audrey Hepburn e Kirk Douglas, entre outros, atuaram em alguns de seus filmes mais famosos no estúdio italiano. A poucos quilômetros de ruínas famosas de Roma, o local se especializou em épicos e filmes bíblicos.

Foi no Cinecittà que Charlton Heston venceu a famosa corrida de bigas em "Ben-Hur", produção de 1959. O estúdio também foi palco do romance entre Richard Burton e Elizabeth Taylor no épico "Cleópatra", de 1963.

Para muitos cinéfilos, o Cinecittà é mais famoso pelas produções italianas rodadas lá. O falecido cineasta Federico Fellini, que filmou quase toda sua obra no Cinecittà, dizia que amava os estúdios, e guardou por toda sua vida as memórias de entrar no local pela primeira vez. "Os estúdios marcaram o começo de tudo para mim", disse Fellini, em uma entrevista. "Todos os encontros, relações, amizades, experiências, viagens para mim começam e terminam nos estúdios de Cinecittà."

Os estúdios ainda são muito usados até os dias de hoje. No verão passado, 20 produções - entre filmes estrangeiros e projetos televisivos italianos - foram rodados no Cinecittà. Entre as grandes produções das últimas décadas filmadas no estúdio estão "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson, "Gangues de Nova York", de Martin Scorcese, e "Para Roma Com Amor", o filme mais recente de Woody Allen, rodado no ano passado.

Modernização

Para os administradores, o estúdio italiano perdeu espaço para outros países e precisa se modernizar financeiramente para sobreviver. "A situação econômica mundial está mudando. A indústria cinematográfica está mudando. Os estúdios Cinecittà precisam olhar para frente", diz o diretor do estúdio, Giuseppe Basso.

Além de dividir os estúdios em empresas menores, os administradores querem construir um parque temático, um hotel e um spa. Os funcionários dizem que os planos podem levar a eliminação de empregos importantes na indústria. Além disso, fariam com que o Cinecittà abandonasse suas atividades tradicionais, e começasse a se mover em direção de outros tipos de entretenimento.

"Isso nos preocupa", diz Francesco Mancini, porta-voz dos grevistas. "Eles dizem que é um relançamento do Cinecittà, mas para mim isso é algo em direção a atividades comerciais não ligadas ao cinema", conclui.

O movimento dos grevistas recebeu o apoio de cineastas renomados, como Bernardo Bertolucci e Ken Loach. Eles fizeram um apelo para que o presidente italiano, Giorgio Napolitano, impeça os planos de reestruturação. Os administradores do estúdio negam categoricamente os planos de abandonar a produção cinematográfica no local. Por trás das reivindicações dos grevistas está uma preocupação muito maior. Alguns temem que os valiosos terrenos do estúdio sejam vendidos a construtoras, e que o Cinecittà desapareça para sempre.

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