Traficante da zona leste deu ordem para matar PMs

Investigação da Polícia Civil gravou conversa entre criminosos; policiais do Deic fazem busca na região por integrantes do PCC

iG São Paulo |

"Libera os meninos para sentar o pau nos polícia." Essa frase foi gravada em uma conversa entre um traficante da Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, e um homem ainda não identificado pela inteligência da Polícia Civil. Ela é um dos principais indícios da suposta participação do crime organizado nas mortes de policiais. A outra é uma gravação na qual bandidos de Paraisópolis, na zona sul, falam em arrecadar R$ 300 de cada "irmão" para o ataque.

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Um comandante da PM afirmou ontem ao iG que a polícia tem notícias de que criminosos pretendem matar mais agentes: "os boatos dizem que têm 50 policiais para morrer. Não são policiais marcados, é um número que eles querem atingir". O comandante pediu para não ser identificado e disse não saber se as mortes teriam ligação com o PCC. "É possível que seja. O PCC quer botar terror em São Paulo".

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Alexandre Dall´Ara
Motos da PM e carro da Guarda Civil em frente ao 8º Distrito Policial, no Brás, na região central da capital

Segundo as investigações do Polícia Civil, falta saber se todas as mortes de policiais têm relação. Um exemplo das dúvidas que cercam a apuração é a gravação do bandido - um homem do segundo escalão da facção - da Cidade Tiradentes. Ela foi feita na sexta-feira, por volta das 14h30. Naquele momento, quatro policiais já teriam sido mortos. Assim, se a ordem era para atacar a partir daquele horário, quem teria matado os outros policiais? A mesma dúvida cerca a outra conversa interceptada por uma delegacia da zona sul de São Paulo: ela foi realizada também na sexta-feira.

"Estamos ouvindo diversas denúncias, mas não conseguimos ainda saber o que está ocorrendo", disse um diretor da Polícia Civil. De fato, desde sexta-feira, foram feitas 80 ligações para o Disque-Denúncia da Polícia Civil sobre possíveis ataques e 31 homicídios foram contados pela polícia no Estado durante o fim de semana. "Estamos acompanhando dia a dia os passos da criminalidade", afirmou outro diretor.

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Na sexta-feira, além do reforço de policiamento feito na Grande São Paulo, a Polícia Militar decidiu enviar a Tropa de Choque para Paraisópolis e parte da zona leste - locais onde haveria ameaça de ataques. Ao mesmo tempo, policiais da Delegacia de Repressão a Facções do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) foram em carros descaracterizados para a zona leste. Queriam surpreender suspeitos de pertencer ao PCC.

Na zona leste, onde ocorreu a maioria dos casos de execução de PMs, o sargento Eduardo, comandante do 8º Batallhão, que fica na região do Tatuapé, informa que recebeu uma base móvel extra. “Recebemos reforço com quatro policiais e armas de grosso calibre para o caso de enfrentamento. Se acontecer alguma coisa, estamos preparados".

Para aumentar o número de policiais nas ruas, agentes que trabalham dentro dos batalhões foram deslocados para o patrulhamento para aumentar a situação de segurança da população. “As pessoas da parte interna estão indo para o operacional para aumentar o efetivo”, diz o sargento.

*Com informações da Agência Estado

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