Mudança climática ameaça energia nuclear e a carvão

Aquecimento das águas e redução da vazão devem prejudicar sistemas de resfriamento de usinas nucleares e termoelétricas devem causar apagões de energia

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O aquecimento das águas e a redução na vazão dos rios deve causar transtornos a usinas nucleares e termoelétricas a carvão nos Estados Unidos e Europa, disseram cientistas que recomendaram uma revisão nos métodos de resfriamento de usinas elétricas.

Em estudo publicado na segunda-feira, cientistas dos EUA e Europa previram que a capacidade de geração da energia nuclear e termoelétrica entre 2031 e 2060 irá diminuir entre 4 e 16 por cento nos EUA, e de 6 a 19 por cento na Europa, por causa da escassez de água para a refrigeração.

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A probabilidade de quedas extremas na geração elétrica, com apagões totais ou quase totais, deve quase triplicar.

"Esse estudo sugere que nossa dependência do resfriamento térmico é algo que vamos ter de revisitar", disse em nota o coautor Dennis Lettenmaier, professor de engenharias civil e ambiental na Universidade de Washington, em Seattle.

As usinas termoelétricas geram mais de 90 por cento da eletricidade consumida nos EUA, e respondem por 40 por cento do uso nacional de água doce, segundo o estudo publicado na revista Nature Climate Change.

Na Europa, essas usinas respondem por três quartos da eletricidade, e por cerca de metade do uso da água.

As usinas nucleares, a gás e a carvão transformam grandes quantidades de água em vapor, para girar suas turbinas. Elas também precisam de água a temperaturas constantes para resfriar as turbinas, e qualquer pico na temperatura da água de um rio pode afetar as operações.

Os autores observaram que já há transtornos ocorrendo. Nos verões europeus de 2003, 2006 e 2009, por exemplo, já restringiram a disponibilidade de água, causando elevação nos custos energéticos. O mesmo ocorreu em 2007 e 2008 nos EUA, por causa da escassez de água para o resfriamento e de restrições ambientais ao despejo de água quente nos rios.

Nos últimos meses, muitas regiões dos EUA registram recordes de calor, e este ano teve o março mais quente já registrado nos 48 Estados do território contíguo do país.

O estudo prevê que o impacto mais significativo nos EUA ocorrerá em usinas instaladas ao longo de grandes rios no sudeste do país.

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