Setor de automóveis dá sinais de melhora após ajuda dos EUA

Obama condiciona auxílio em dinheiro às montadoras à produção de carros menores, mais econômicos e menos poluentes

Nelson Rocco, iG São Paulo |

As fabricantes americanas de automóveis começam a emergir do abismo em que foram lançadas pela falta de crédito provocada pela crise financeira que abalou os EUA. Num ano marcado por concordatas e transferência de controle, as big three de Detroit - General Motors, Ford e Chrysler - retomaram as vendas graças à ajuda financeira do governo e às imposições dos programas do presidente Barack Obama.

As vendas de veículos leves no ano passado somaram 10,4 milhões nos EUA, uma queda de 21,2% em comparação às 13,2 milhões de unidades de 2008. Se forem levadas em conta apenas as vendas das montadoras americanas, o desempenho anual foi ainda pior em 2009. De janeiro a dezembro, GM, Ford, Chrysler e Internacional (Navistar) comercializaram 4,66 milhões de veículos, 26,6% menos que os 6,35 milhões do ano anterior.

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Stand da Ford no salão de Detroit: recuperação da indústria

Os números de dezembro, no entanto, mostram uma sensível melhora no mercado. As vendas tiveram aumento de 7% sobre o mesmo mês do ano anterior, de 891 mil carros para 1,026 milhão, segundo dados do site WardsAuto.com, especializado no setor.

O tradicional Salão Internacional do Automóvel de Detroit, realizado no início de janeiro, traduziu o clima de recuperação das indústrias. Os modelos mais econômicos foram a tônica do evento. GM e Ford apresentaram carros no estilo europeu. A Chrysler levou os carros da europeia Fiat, sua nova controladora, para o salão, afirma Stephan Keese, diretor para a área de automóveis da consultoria Roland Berger.

Essa tendência é o resultado da influência direta do governo americano sobre as montadoras. Obama impôs a produção de carros menores, mais econômicos e menos poluentes como contrapartida à ajuda em dinheiro e aos programas de incentivo às vendas. O presidente Obama tem interesse na recuperação das montadoras porque elas geram um grande número de empregos e isso só vai ser possível se mudarem o foco para produtos mais eficientes e econômicos, afirma Keese.

Para resgatar GM e Chrysler do marasmo em que se encontravam no início do ano passado por causa da falta de crédito no mercado, o Tesouro americano liberou recursos de cerca de US$ 80 bilhões, em parcelas. A Chrysler foi forçada a pedir concordata em abril de 2009. Além de receber dinheiro do contribuinte, 30% do seu capital foi vendido para a italiana Fiat, num acordo que prevê transferência de tecnologia para que volte a competir num mercado que vem sendo atacado pelas concorrentes asiáticas nos últimos 20 anos.

Mergulhada em dívidas de US$ 27 bilhões, a gigante GM foi a pique dois meses depois. No início de junho, pediu proteção contra os credores num episódio que entrou para a história como a terceira maior concordata dos EUA. O plano de resgate incluiu um aporte emergencial de US$ 30 bilhões e a transferência dos ativos da empresa para a nova GM, cujo controle passou a ser dividido pelo governo (60%), o sindicato dos trabalhadores na empresa (18%), o governo do Canadá (12%) e um grupo de credores (10%).

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Obama fala na GM: foco na geração de empregos das montadoras

Estou absolutamente confiante de que, se bem administrada, a nova GM surgirá como uma empresa que pode competir com montadoras ao redor do mundo e poderá mais uma vez ser parte integral do futuro econômico dos EUA, disse o presidente Obama, no anúncio de ajuda à General Motors.

A Ford foi a única a não pedir recursos do governo. Segundo o diretor da Roland Berger, a companhia vinha se preparando para enfrentar a concorrência oferecendo carros menores e mais econômicos há anos, o que lhe possibilitou conquistar custos mais baixos de produção.  

Além do resgate financeiro, o governo Obama também injetou dinheiro para incentivar os americanos a trocar seus carros antigos e poluentes. Foi criado uma espécie de bônus que o governo dá para tirar os veículos antigos das ruas de até US$ 4,5 mil por unidade, vinculado ao gasto de combustíveis. Esse valor é para quem compra um carro com consumo máximo de 35,2 km por galão, conta Stephan Keese. Os recursos para o programa somaram US$ 3 bilhões. Esse valor já foi empregado e possibilitou elevar em 1 milhão as vendas do setor nos EUA".

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