Desemprego e crise econômica derrubam popularidade de presidente dos EUA

Herdeiro de duas guerras impopulares, Obama frustra expectativas e enfrenta desgaste por reforma na assistência à saúde e propaganda republicana contra governo

Leandro Meireles Pinto, iG São Paulo |

Há 365 dias, quando o slogan Yes, we can ainda ecoava pelo mundo, Barack Obama tomava posse como 44º presidente dos EUA. Sua popularidade era enorme, assim como as expectativas sobre seu governo. Mas o que era esperança de mudança logo se transformou em frustração para muitos eleitores, e a popularidade do primeiro presidente negro dos EUA sofreu uma queda sem precedentes no primeiro ano de mandato.

Impulsionado principalmente pela bem-sucedida campanha eleitoral, que trouxe a promessa de mudança ao país, Obama tomou posse em 20 de janeiro de 2009 com 68% de aprovação. Um ano depois, o índice caiu para 50%, segundo algumas pesquisas - um dos níveis mais baixos de qualquer outro presidente desde a segunda metade do século passado.

iG
Gráfico mostra a queda de popularidade do presidente

Sua aprovação atual é pouco menor do que a dos presidentes Jimmy Carter (1977-1981), de 51%, e de Bill Clinton (1993-2001), de 54%, no primeiro ano de governo. E é bem mais baixa do que os 82% de George W. Bush (2001-2009), os 76% de George H.W. Bush (1989-1993), os 79% de John F. Kennedy (1961-1963) e os 70% de Dwight D. Eisenhower (1953-1961). Apenas o republicano Ronald Reagan (1981-1989), que assim como Obama assumiu o poder com uma situação econômica difícil, começou seu segundo ano de governo com uma taxa de aprovação (49%) inferior à de Obama.

Expectativa muito alta

São vários os fatores que ajudaram a derrubar a avaliação do governo Obama. Ele herdou duas guerras - Iraque e Afeganistão -, uma crise econômica e se empenhou na aprovação de um plano de saúde que despertou desconfiança nos setores mais conservadores da sociedade.

O presidente iniciou seu governo com uma expectativa muito alta e a demora em cumprir algumas promessas acaba causando certa decepção entre a população, explica o historiador político Evan Cornog, professor da Universidade de Columbia, em Nova York.

A maior queda entre os que apoiam o presidente ocorreu, segundo o Instituto Gallup, entre a população de eleitores brancos com grau de instrução até o ensino médio. Isso poderia indicar que a desaprovação de Obama tem mais relação com o desemprego e a crise econômica do que com medidas de política externa, como enviar mais tropas ao Afeganistão.

"O político no poder paga pela situação da economia", afirmou o professor Cornog. "Mesmo que as medidas de Obama tenham amenizado a crise, ele herdou um problema e os eleitores agora o consideram integralmente responsável por ele", completou.

Problemas de política interna

Além da crise econômica, Obama enfrentou ao longo do ano uma série de problemas de política interna. Estender a cobertura da saúde a um número muito maior de pessoas provocou uma acirrada batalha política, que culminou em anúncios inflamados contra o presidente em redes de TV e rádio conservadores.

A promessa de fechar o centro de detenção dos EUA na Baía de Guantánamo, Cuba, neste mês não será cumprida, e seu governo nem sequer determinou o que fazer com os mais de 210 prisioneiros do local. "Todas essas pequenas coisas, quando somadas, acabam causando grande insatisfação", disse o professor Cornog.

E não podemos esquecer que, nos EUA, há uma grande e bem organizada máquina de mídia conservadora que está, desde o primeiro dia de mandato de Obama, fazendo de tudo para derrubar sua imagem perante os americanos, completou.

    Leia tudo sobre: democrataeconomiaespecial 1 ano de obamaeuagovernoobama

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG