13/05 - 13:24 - Jair Stangler, repórter do Último Segundo
No dia 13 de maio de 1968, era convocada a greve geral na França. O que antes era um movimento restrito ao meio universitário se espalhava pela cidade e parecia ganhar proporções revolucionárias, questionando as estruturas de poder e os valores vigentes. Em seu auge, colocou em risco a autoridade do presidente Charles De Gaulle. O movimento não chegou a derrubar imediatamente o general De Gaulle, herói da resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial, mas seu governo ficou abalado e se manteve no poder apenas até abril de 1969.
O maio francês foi um dos eventos mais significativos de um ano de mudanças em todo o mundo. Em 1968, protestava-se contra tudo e contra todos. E em toda a parte – para o jornalista Zuenir Ventura, foi o primeiro movimento do mundo globalizado. Polônia, Espanha, Itália, Alemanha Ocidental, Japão e México são alguns dos países em que os jovens foram às ruas, pelas mais diversas razões – pelo direito de ter dormitórios mistos nas Universidades, contra a Guerra do Vietnã, contra a ditadura, pelo direito das minorias... Entre os países mais marcados por aquele ano, estão a França, os Estados Unidos, a Tchecoslováquia e o Brasil.
Na França, a agitação começou no dia 22 de março, quando um grupo de estudantes invadiu a reitoria da Universidade de Nanterre, subúrbio de Paris, para protestar contra a prisão de um militante da Juventude Revolucionária Comunista, detido durante manifestação contra a Guerra do Vietnã, e também contra a decisão de proibir a visita de rapazes nos dormitórios femininos.
No dia 27 de abril, Daniel Cohn-Bendit, líder da ocupação em Nanterre, foi preso e, no início de maio, a Universidade de Nanterre foi fechada. Os estudantes foram para as ruas protestar no dia 3 de maio, no Quartier Latin, em Paris, e tentaram ocupar a Universidade de Sorbonne. No dia 13, a greve geral foi convocada e a Sorbonne foi invadida pelos estudantes. Com muitos confrontos entre a polícia e os manifestantes, o movimento se estendeu até o final do mês, quando De Gaulle assinou um acordo com os trabalhadores, demitiu o ministro da Educação e dissolveu o Parlamento. Ele convocou eleições para junho, obtendo vitória esmagadora.
Nos Estados Unidos, o ano foi marcado por protestos contra a Guerra do Vietnã e a favor dos direitos civis. No dia 4 abril, foi assassinado o reverendo Martin Luther King, principal liderança da luta contra o racismo no país.
Também em abril, na Tchecoslováquia, o secretário-geral do Partido Comunista, Alexander Dubcek, anunciou a criação de um “socialismo de rosto humano”, iniciando um período que ficaria conhecido como “Primavera de Praga”. Foi feita uma reforma que permitiu liberdade expressão e organização fora do Partido Comunista. Em agosto, Praga foi invadida por tropas da União Soviética e aliados e Dubcek foi destituído do poder.
A violência com que foi reprimida, faz com que o jornalista Zuenir Ventura compare a geração de Praga à geração brasileira.
No Brasil, desde o início do ano, ganhavam força os protestos estudantis por mais verba para a educação e contra a ditadura. No dia 28 de março, um choque entre estudantes e policiais no Rio de Janeiro causou a morte do estudante Edson Luís. O assassinato de Edson Luís por um policial comoveu a cidade do Rio de Janeiro, gerando muitos protestos. Em 26 de junho, a “Passeata dos 100 mil”, no Rio de Janeiro, reuniu políticos, artistas, trabalhadores e estudantes para protestar contra a ditadura.
No início de outubro, em São Paulo, aconteceu a “Batalha da Maria Antônia”, que opôs alunos da Faculdade de Filosofia da USP a estudantes da Universidade Mackenzie, resultando em muitos feridos e na morte do estudante secundarista José Guimarães.
Alguns dias depois, a polícia prendeu em Ibiúna, interior de São Paulo, cerca de mil estudantes que participavam do congresso da UNE, incluindo os principais líderes do Movimento Estudantil – José Dirceu, Flávio Travassos, Vladimir Palmeira, entre outros.
No dia 13 de dezembro, o governo decretou o Ato Institucional número 5, o AI-5, em resposta a discurso contra as Forças Armadas proferido pelo deputado Márcio Moreira Alves. O AI-5 deu plenos poderes ao governo, fechou o Congresso e tirou liberdades individuais. Começavam então os “anos de chumbo” da ditadura, quando milhares foram presos e muitos torturados e mortos. O ato só foi revogado dez anos depois, em dezembro de 1978.

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